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São Paulo tem 5.000 caçambas espalhadas pelas ruas da cidade
Todos os dias, 240 empresas legalizadas tiram e colocam 5.000 delas nas ruas da cidade, causando a sensação de que em cada curva o motorista ou pedestre vai se deparar com uma caçamba. O tira e põe dos trambolhos de metal resulta no transporte diário de 4.500 toneladas de restos de construções, que são levados diariamente aos aterros sanitários nos extremos da cidade. Exclui-se aqui o que clandestinos despejam nas ruas. Numa única operação da prefeitura, em julho, 16 caminhões foram flagrados descarregando restos de construções nos bairros.
Novos empreendimentos imobiliários sustentam o fenômeno da proliferação de caçambas por tempo indeterminado --em alguns casos, elas viram parte do cenário por quase um ano. É comum uma pessoa comprar um apartamento e, em seguida, passar meses reformando o imóvel.
O destino que se dá a todo o entulho da cidade depende de um grupo de trabalhadores que já ganhou o apelido de caçambeiros -são os empresários do entulho.
Os caçambeiros são imprescindíveis para quem reforma ou constrói. Mas também motivo de irritação para motoristas em busca de vagas.
"O certo era a planta da construção do prédio incluir uma vaga para a caçamba. Mas, não, hoje coloca-se na vaga de Zona Azul ou no estacionamento de visitante. Dá até briga no condomínio. Ninguém é feliz com caçamba, só quem precisa usar", afirma Luiz Lazarini, presidente do Sieresp (sindicato das empresas removedoras de entulho).
Antes da regulamentação das caçambas, o transporte de entulho era feito na carroceria de caminhões e havia pouca fiscalização sobre seu destino. Na década de 1990, as caçambas com o formato atual começaram a se alastrar. Segundo o sindicato, surgiram quase 900 empresas. Com a concorrência e a maior rigidez na fiscalização, muitas saíram do mercado. Hoje, por exemplo, cerca de 60 atuam numa espécie de consórcio, com administração unificada. Mas o mercado é tão movimentado que até ladrões aparecem. Segundo empresários, caçambas são furtadas para serem usadas por clandestinos.
Folha de São Paulo – folha.com
GIBA BERGAMIM JR.
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