|
matérias
Segurança patrimonial - parte1
Um condomínio seguro é sinônimo de satisfação entre os moradores. É dever do síndico instalar equipamentos apropriados e treinar os funcionários para que a segurança patrimonial seja privilegiada, disseminando a sensação de segurança e proteção entre os condôminos. Mas um bom sistema de segurança patrimonial envolve investimentos nas áreas de infraestrutura física (como guaritas, muros, clausuras e grades, por exemplo), em equipamentos (do CFTV a alarmes) e em procedimentos. Os condomínios devem ter regras claras de acesso de moradores, fornecedores, visitantes e funcionários, as quais devem ser acatadas por todos, indistintamente.
Segurança: Ações integradas garantem sistema mais eficaz

Além da infraestrutura física e do investimento em tecnologia, é preciso buscar procedimentos e hábitos mais cautelosos para proteger os condomínios da onda de arrastões.
Entre os principais motivos que levam uma pessoa a optar pela habitação em condomínios fechados, quer sejam verticais ou horizontais, estão o conforto, a tranquilidade e a proteção. Mas o panorama atual da criminalidade bate de frente com tais expectativas, deixando-as num estado de vulnerabilidade. O número de arrastões em condomínios verticais de São Paulo explodiu em 2012. A Secretaria da Segurança Pública registrou ao longo do primeiro semestre do ano mais arrastões do que em todo o ano de 2011. Quais seriam, então, as falhas que colocam por água abaixo a tão almejada segurança, antes vista como um dos maiores benefícios para quem mora em condomínios?
Segundo o consultor de segurança Adalberto Santos, as falhas mais comuns estão na deficiência do sistema organizacional do condomínio, no comportamento dos moradores e também no treinamento dos profissionais que atuam no local, sejam porteiros ou vigilantes. "Principalmente na conduta de usuários", ressalta. Para Wagner Pradella, síndico profissional há 14 anos, 80% dos condomínios de São Paulo estão mal administrados. "No geral, os síndicos estão mal informados, mal instruídos, e isso implica no nível de segurança do condomínio, bem como em moradores desatenciosos", argumenta.
O controle de acesso (entrada e saída) funciona como um chamariz para os criminosos. "Os funcionários acabam abrindo os portões na hora errada e para a pessoa errada", aponta José Elias de Godoy, Oficial da Polícia Militar de São Paulo, consultor e instrutor de segurança, além de autor de livros na área. Em cerca de 90% das ocorrências em condomínios os bandidos têm acesso pelas entradas principais, de acordo com José Elias, e a maior estratégia deles é a utilização de disfarces ou abordagem próxima à portaria para levar o morador para dentro. Godoy comenta que em 82% dos casos as quadrilhas invadem os prédios entre 18h e 6h, período quando todos chegam ou saem para trabalhar.
É preciso redobrar a atenção também com as empresas terceirizadas que prestam serviços. Especialistas afirmam que um dos fatores que eleva a insegurança condominial é atuar com funcionários sem treinamento, que desconheçam as normas do local. "Hoje a maioria dos condomínios trabalha com serviços terceirizados pela vantagem do custo e benefício e também pela substituição imediata de funcionários", observa Pradella, mas é preciso atenção ao perfil do profissional.
Não existe uma receita ideal para proteger os condomínios contra os crimes, cada um tem suas particularidades. Não obstante, independente do porte do local, deve-se adotar uma cultura de segurança que vise medidas rígidas e investimentos na conscientização de todos os funcionários e moradores. "Os equipamentos eletrônicos complementam e ajudam a monitorar os procedimentos adotados", acrescenta o consultor Elias Godoy.
FERRAMENTAS AUXILIARES
Há pouco tempo atrás, as câmeras do circuito de CFTV tinham a função de inibir uma ação criminosa, ou seja, exerciam um papel mais preventivo, pois se entendia que o ladrão temia ser filmado. Hoje, entretanto, esses equipamentos entraram como recurso para o próprio campo investigativo. "A tecnologia atual traz a cada dia excelentes e inúmeras contribuições nesse sentido: câmeras, circuito de CFTV, alarmes, controles de acesso através de sistema digital etc.", afirma o consultor Adalberto Santos.
A tendência daqui para frente é integrar todos os processos, aponta, por sua vez, Rodrigo Machado, responsável pelo departamento de projetos de uma empresa especializada em sistemas de segurança, instalada na Vila Maria, zona Norte de São Paulo. "Hoje o CFTV 100% digital possibilita a integração paulatina das câmeras aos sensores de presença e perímetro, às catracas, alarmes etc." Porém, "se não houver profissionais habilitados não adianta investir em tecnologia", pondera o consultor Adalberto Santos. Segundo ele, as ferramentas se tornam ineficazes se o usuário não tiver consciência e controle sobre os riscos.
Administrado pelo síndico e morador Pradella, o Condomínio George Bizet, situado no bairro da Aclimação, zona sul da cidade, com uma torre, 90 apartamentos e cerca de 300 moradores, possui um sistema de segurança que acopla CFTV, alarmes, cerca elétrica, 35 câmeras e monitoramento 24 horas, realizado por uma empresa terceirizada. Mas toda a aparelhagem não é o bastante: o síndico tem o hábito de reciclar os profissionais da linha de frente a cada três meses e também faz parte de sua rotina de trabalho buscar informações na Delegacia da Divisão de Crimes Contra o Patrimônio do Deic (Departamento de Investigações sobre Crime Organizado). "É importante o síndico se informar sobre as ocorrências e depois repassar aos porteiros os cuidados necessários", diz Pradella.
O Condomínio Living Club, que envolve quatro torres, 400 unidades e cerca de 1.200 moradores na Vila Leopoldina, zona Oeste de São Paulo, adotou um sistema de segurança por "sensibilidade". Entregue há quatro anos apenas com um sensor de barreira infravermelho, o condomínio já possui hoje oitenta câmeras e ainda estão sendo instaladas outras dezesseis. "Todas estão posicionadas de forma a acompanhar o morador e o visitante desde a portaria até o apartamento", afirma o síndico Waldir Berger. Além de ser monitorado por ronda interna diurna e noturna, o local dispõe de sistema digital para identificar pedestres e carros. "O condômino é identificado através de um sistema digital de biometria." E para maior segurança no acesso de carros, utiliza-se o sistema de "tags", "que possibilita ao funcionário fazer a triagem de cada veículo, por meio de leitura interativa de uma bateria, etiqueta ou cartão, e visualizar a fotografia do morador que está no cadastro de determinado veículo", detalha o síndico.
Entretanto, para uma segurança mais eficaz, todo esse aparato tecnológico não é autossuficiente. Berger comenta que, constantemente, organiza reuniões com a supervisão da empresa terceirizada para fazer os ajustes e, de vez em quando, costuma dar uma incerta, ou seja, arma situações para testar a eficiência dos sistemas e dos profissionais de segurança do condomínio. "Os síndicos e os zeladores são as únicas pessoas que podem saber sobre essa incerta", recomenda àqueles que pretendem executá-la.
PREVENÇÃO COM PLANEJAMENTO
Berger implantou todo o sistema de segurança do Condomínio Living Club ao longo de três anos, a cada ciclo anual concluía uma parte do projeto. Ele recomenda a um síndico que queira mudar ou implantar um sistema, que faça um planejamento do investimento. Primeiro, pontua Berger, "o síndico deve estabelecer o valor do investimento que está ao alcance do condomínio e depois fazer um estudo preciso da segurança no local: verificar tipos de equipamentos, necessidade ou não de rondas internas e ainda o perfil e a quantidade de profissionais aptos para lidar com tal sistema". Na empresa onde Rodrigo Machado atua como responsável pelo departamento de projetos, o sistema pode ser complementado de forma modular e progredido aos poucos, conforme a necessidade e as condições financeiras do cliente. Para legitimar o projeto, os especialistas indicam contratar uma empresa de consultoria para realizar o diagnóstico do condomínio. Machado aconselha solicitar um consultor que tenha olhar crítico na parte de segurança, aquele que seja capaz de identificar as áreas vulneráveis do local.
No que diz respeito à escolha da empresa, tudo o que envolve segurança é sempre recomendável fechar negócio com companhias padrão tipo "A", que trazem na bagagem boas referências de outros condomínios, de acordo com Berger. "É importante a empresa oferecer profissionais habilitados e reciclados periodicamente, bem como um serviço de 24 horas de monitoramento a distância."
Contudo, a essência para o planejamento do sistema deve ser o despertar da cultura de segurança entre os moradores do condomínio. "Sem estratégia a segurança fica dispersa, o que contribui para que os criminosos encontrem as brechas para agir", costuma indicar o consultor Santos.
COMO PROMOVER A CULTURA DA SEGURANÇA
Todos os usuários do condomínio assumem um papel importante no processo de segurança, mas, para o consultor Santos, o morador é o sujeito principal. O Oficial Elias Godoy compartilha a mesma opinião: "os condôminos são os mais interessados pela segurança e, portanto, devem estar engajados e obedecer tudo o que diz respeito à sua proteção". É fundamental que os moradores adotem hábitos precisos como: "prestar atenção ao que acontece no entorno do condomínio ao entrar e sair, tomar cuidado com correspondências, bem como não comentar sobre a vida pessoal com os empregados do apartamento e profissionais do condomínio", detalha o síndico Pradella.
Para ajustar o comportamento dos usuários, a comunicação deve ser abundante: emitir circulares com conteúdos que sirvam de alerta para garantir a proteção de todos e também produzir uma cartilha com normas que tratem de um bom e rígido controle de acesso. Além de abordar questões de ordem comportamental nas dependências do condomínio, o consultor Santos complementa que é importante a cartilha expor informações que transcendam os muros e orientem moradores e funcionários quanto às suas condutas também fora do local.
NORMAS DO CONDOMÍNIO: COMO FAZER
"Não existe qualquer legislação específica para condomínio no tocante à segurança, ou seja, algo que o obrigue a fazer ou deixar de fazer", ratifica Cristiano De Souza Oliveira, advogado e consultor jurídico. Cada condomínio possui suas particularidades que devem ser respeitadas, por isso, argumenta, "as regras de segurança são sempre de bom senso e devem ir ao encontro do comportamento da coletividade". Para o síndico se prevenir de acusações de omissão em relação à segurança, o advogado aconselha sempre levar todas as normas e sugestões à assembleia para a aprovação e ainda registrar o que foi decidido, visto que, conforme a Lei 4.591/64, ele pode ser responsabilizado civil e criminalmente pelos acontecimentos.
ACESSO COM MANDADO JUDICIAL
Não é permitida a entrada de policiais em condomínios sem mandado judicial, segundo Adalberto Santos, consultor de segurança. "Salvo socorros emergenciais, como situações de flagrante delito", completa o Oficial Godoy. Caso haja o mandado, ou mesmo em circunstâncias de emergência, o consultor afirma que é prudente e de direto solicitar a identificação funcional dos executores e, na medida do possível, acompanhá-los durante a permanência no local. Antes de liberar o acesso, para maior proteção, os especialistas também aconselham ligar para a polícia e confirmar a ordem e ainda avisar a central externa de monitoramento.
Treinamento de segurança nos condomínios: atenção e ação na medida certa

Cercas, câmeras, alarmes, blindagem, sensores, monitoramento. A tecnologia avança a passos largos, com sistemas que contribuem para a segurança dos condomínios. No entanto, nada disso tem efeito se não houver o principal: funcionários e moradores devidamente treinados para lidar com os equipamentos e adotar condutas preventivas no dia a dia. Tanto é verdade que a maioria dos arrastões que aconteceram em São Paulo este ano foi decorrência de falha humana. Os meliantes sabem que existe uma fragilidade nesse aspecto e contam com ela nas suas ações, adotando as mais variadas formas de ludibriar e render porteiros.
Depois que acontece, não adianta culpar o funcionário. "Reclama-se que o porteiro age errado, mas ninguém ensinou para ele como proceder", afirma o consultor em segurança Nilton Migdal. Ele destaca a importância de se investir na seleção e treinamento do funcionário e, ainda, contar com normas e procedimentos de segurança escritos num manual a ser seguido por todos do condomínio. "Dos 150 empreendimentos onde já atuei, apenas quatro deles tinham normas escritas e somente um único as tinha implantado de fato", revela.
De acordo com João Palhuca, vice-presidente do Sesvesp (Sindicato das Empresas de Segurança Privada, Segurança Eletrônica, Serviços de Escolta e Cursos de Formação do Estado de São Paulo), tão fundamental quanto treinar funcionários é orientar moradores. "Os condôminos, na maioria dos casos, são os maiores responsáveis pela ineficiência do sistema. Eles não cumprem regras, não tratam os profissionais com respeito, desenvolvem relações inadequadas com a equipe de proteção e isso cria um clima de desobediência ao programa de segurança", aponta.
Um exemplo clássico é a falta de atenção do morador em comunicar a portaria sobre a contratação e demissão de funcionários, como faxineira e babá, bem como avisar sobre visitas de amigos e parentes. "Não adianta o morador ficar furioso se o porteiro não deixar sua mãe que mora em outro Estado entrar no prédio, pois ele não foi informado e a pessoa não está cadastrada", afirma Migdal.
Vale lembrar que o treinamento sozinho também não basta, é preciso seguir outros passos importantes, segundo os especialistas, até para dar respaldo à ação dos porteiros:
> Criar conselho de segurança no edifício: Migdal orienta a formação de um conselho com até quatro pessoas, que irão se dedicar a pensar na segurança do condomínio. "A comissão deve ter poder de decisão em nome de todos, senão os processos ficam muito lentos", sugere.
> Criar normas e procedimentos: é indicado o apoio de um consultor para fazer o diagnóstico da segurança no condomínio, recomendar medidas e ajudar na elaboração de normas internas, com penalidades para quem não cumpri-las. O consultor geralmente dá palestras de orientação e sensibilização para funcionários e moradores.
> Selecionar funcionários: não adianta economizar e contratar pessoas com grau de instrução muito baixo, segundo Palhuca. O profissional precisa ser "treinável", capaz de fazer cadastro de visitantes, tomar decisões e seguir procedimentos. Migdal orienta que se avalie com atenção a remuneração e os benefícios dos porteiros. Para ter um profissional mais preparado e satisfeito, é preciso remunerá-lo adequadamente e oferecer boas condições de trabalho.
> Currículo do treinamento: este depende das necessidades do condomínio e um consultor poderá ajudar a identificá-las, definir o conteúdo, aplicar o treinamento e avaliar se foi devidamente assimilado. Segundo Palhuca, os programas são diferentes de acordo com as características do empreendimento, inclusive localização, número de torres e apartamentos. Já Migdal recomenda que o treinamento aconteça no local de trabalho (fora do expediente, contando como hora extra) e inclua o uso de equipamentos, cumprimento de normas e procedimentos, e segurança da informação. "Treinamento não engloba só abertura de porta, mas percepção, observação de suspeito, identificação de truques, condutas em situações diversas e resguardo de informações de dentro do prédio", explica.
> Treinar o condômino: o treinamento de moradores deve focar na orientação para o cumprimento das normas. Eles precisam entender que se resolveram morar em condomínio terão de acatar as regras e sofrer penalidades se as descumprirem.
> Investir em reciclagem: os criminosos estão sempre mudando de tática e a equipe de segurança não pode se acomodar. Os especialistas orientam treinar sempre os novos funcionários e, mesmo que a equipe se mantenha fixa, promover reciclagem a cada seis meses.
> Testar a segurança: é indicado fazer simulações periódicas de tentativa de intrusão no condomínio para testar a equipe e o sistema. "O objetivo é valorizar quem age bem e corrigir eventuais falhas, sem retaliações ou demissões", explica Migdal.
SÍNDICOS MAIS CONSCIENTES
Cumprindo o segundo mandato no Residencial Ilha de Boaçava, São Paulo, o síndico Sílvio Timóteo passou a se preocupar mais com segurança após a recente onda de arrastões. Participou do "1º Curso de Treinamento em Segurança" com Luís Renato Mendonça Davini, promovido pelo Grupo Direcional, e vem tomando medidas preventivas, ainda que nunca tenha havido uma ocorrência.
"Decidi proteger ao máximo meu porteiro como último elo a ser quebrado para a invasão. Iniciei reforma na cabine, mandei fazer outra porta, coloquei vidros blindados e ar-condicionado. Implantei um trabalho de conscientização de funcionários e moradores através de informativos e já observo resultados", revela. Os próximos passos serão contratar uma empresa de monitoramento 24 horas e criar um manual de procedimentos. Porém, ele sabe que não é fácil mexer com costumes e já enfrentou algumas resistências. "Teve morador que disse: 'eu vivo aqui há 20 anos e nunca aconteceu nada'. E eu falei: então porque nunca furou o pneu você vai andar sem estepe no carro?".
Já a síndica e administradora Carmen Mendes Pagan cuida pessoalmente do treinamento de seis funcionários do Edifício Itororó, na Bela Vista. O condomínio tem 160 unidades, conta com sistema de segurança e regulamento geral. A síndica também esteve presente no 1º Curso de Treinamento da Direcional, acompanhando parte de sua equipe.
Por Lília Rebello
Por que automatizar o condomínio?
A integração entre alarmes e controle de acesso ou entre equipamentos de prevenção a incêndio confere mais agilidade aos sistemas, diminui riscos por falha humana e dá mais tranquilidade aos condomínios.
O Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) de São Paulo registrou oito arrastões em condomínios na Capital paulista nos três primeiros meses de 2009, um a menos do que as ocorrências observadas em todo o ano passado. Segundo o empresário Edílson Rodrigues, do segmento de produtos e serviços elétricos e eletrônicos, os condomínios não têm poupado esforços nem recursos para melhorar o sistema de segurança. Rodrigues cita o caso de um edifício residencial localizado na Chácara Klabin, zona Sul da cidade, vítima de arrastão no final do ano passado, apesar de contar com guarita blindada, portões eletrônicos com clausura, CFTV e seguranças.
Neste caso, os ladrões tiveram acesso a uma informação privilegiada, souberam que um apartamento estava desocupado e se apresentaram como proprietários. A ocorrência levou o condomínio a reinvestir em seu sistema, mudando a posição dos receptores das câmeras dos portões e melhorando o alcance da identificação na cabine, diz. Também diminuiu o tempo de fechamento dos portões, de 15 para 4 segundos, e trocou a equipe de seguranças.
Mas especialistas na área recomendam que os condomínios invistam ainda na automação do sistema, por meio da integração dos equipamentos, diminuindo os riscos advindos do fator humano. “Inicialmente, é preciso ter um projeto de segurança eletrônica, para depois fazer a sua integração via automação”, observa Selma Crusco Migliori, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (Abese). Isso confere, ressalta, maior sofisticação ao sistema, agilidade e eficiência e confunde a ação dos ladrões.
É o caso, por exemplo, de interligar os alarmes à iluminação e ao banco de imagens e de dados do controle de acesso, como forma de garantir um alerta automático em caso de invasão de pessoas estranhas. “Existem empresas integradoras que realizam esse trabalho, assegurando maior eficiência ao sistema”, afirma. Um dos principais ganhos da automação é a independência que o condomínio adquire em relação ao acionamento humano. A presidente da Abese lembra que há softwares de gerenciamento do acesso de veículos, liberando a sua entrada somente depois do reconhecimento da placa, dispensando o condômino de portar controle remoto ou a sua liberação pelo porteiro. Outra tendência do mercado, aponta Edílson Rodrigues, é que os condomínios residenciais passem a fazer cadastro de seus visitantes, com fotos, liberando a circulação por meio do uso de credenciais, a exemplo do que acontece em muitos edifícios comerciais. Isso facilitaria a integração dos dados, observa.
“A primeira grande vantagem que a automação garante é a segurança de controlar a entrada de pessoas não conhecidas à área interna dos edifícios. Além disso, ela pode gerar economia e também maior agilidade nos acessos de pessoas e veículos”, afirma, por sua vez, Samuel Iwamoto, suporte técnico comercial de um dos maiores fabricantes nacionais de equipamentos e soluções de acesso.
Os especialistas apontam, entretanto, a necessidade de treinamento da equipe de colaboradores, não sem antes implantar uma nova postura comportamental dos condôminos em termos de segurança, destaca Selma Crusco. “Geralmente o fator humano falha por falta de conscientização dos moradores”, completa, sugerindo a eles desenvolver normas comuns a todo o condomínio, como forma, inclusive, de balizar o trabalho dos funcionários. “Muitas vezes o porteiro é levado, por alguma situação, a abrir os portões”, diz.
A automação está presente também na interligação dos equipamentos de segurança contra incêndio, um tipo de investimento recentemente feito pelo edifício comercial Taluá, no Jardim Paulista, em São Paulo. Segundo Eduardo Shigueo, administrador do imóvel, houve a integração entre os detectores de fumaça, o sistema de pressurização das escadas e o fechamento das portas corta-fogo, atendendo às normas atuais de órgãos como o Contru e o Corpo de Bombeiros. E para se adequar à legislação sobre acessibilidade, o condomínio teve que instalar trilhos com uma cadeira automática para uso dos portadores de deficiência, pois há um desnível de 70 centímetros entre a rua e a entrada do prédio.
Por Rosali Figueiredo
Patrimônio - Vandalismo x manutenção
Paredes pintadas, equipamentos em ordem. O vandalismo acaba com qualquer manutenção cuidadosa. Saiba como eliminar esse problema do seu condomínio.
O síndico Joaquim Gutierrez Antonio estava cansado de gastar com troca de fechaduras nos acessos ao barrilete, casa de máquinas e topo do prédio. Escadarias pichadas e objetos quebrados nas áreas comuns também apareciam com freqüência. Para eliminar atos de vandalismo como esses, Joaquim instalou sensores dotados de alarmes nas portas de acesso às áreas restritas. “Se alguém abre as portas que servem o barrilete, a casa de máquinas e o topo do prédio o alarme dispara.
Também instalamos sensores de presença, para manter o local iluminado. E para evitar os danos nas áreas comuns, às 22 horas todas as portas de acesso à sala de jogos, quadra e piscina são trancadas”, conta o síndico. Joaquim também investiu em câmeras nos locais de maior risco de vandalismo. “Aos poucos conseguimos intimidar os vândalos. Se o porteiro vê algo pelas câmeras, interfona para o local. Infelizmente não conseguimos acabar completamente com os problemas, mas o que restou é administrável”, comenta.
O síndico profissional Nilton Savieto percebe que os atos de vandalismo nos prédios que administra são cíclicos: aumentam nos meses de dezembro, janeiro e julho. “Justamente nas férias escolares, quando crianças e adolescentes ficam procurando o que fazer”, diz. Recentemente, Nilton enfrentou em um condomínio situações de princípio de incêndio: em uma, o vândalo colocou fogo na lixeira do andar; em outro, no recipiente para copos descartáveis instalado ao lado de um bebedouro. O síndico comenta que, felizmente, os dois foram apagados rapidamente, evitando problemas maiores. “Como não foi possível identificar o autor pelas imagens, soltei um alerta ao prédio, comentando que provavelmente foi alguém que conhecia bem o local. No comunicado, pedi aos pais que orientem os filhos do risco desse tipo de ação”, recorda.
Em outro prédio, um morador teve o carro riscado na garagem e a fechadura foi tampada com epóxi. “Recomendei ao proprietário fazer um boletim de ocorrência já que também nesse caso não foi possível identificar a autoria”, diz o síndico profissional. Quando a identificação ocorre, Nilton envia uma carta ao condômino notificando-o que o serviço está sendo orçado e que o dano será cobrado do apartamento. Se o morador for reincidente, é cobrado, além do ressarcimento, multa.
Mesmo se o condomínio não possuir imagens gravadas identificando a autoria de algum dano ao patrimônio o ressarcimento pode ser solicitado. Conforme o advogado Cristiano De Souza Oliveira, consultor jurídico condominial, deve haver uma informação por escrito de um funcionário que tenha testemunhado o fato. “O infrator deverá ser multado e receber a cobrança pelo dano que gerou ao condomínio. De acordo com o artigo 1337 do Código Civil, o condômino que cause prejuízos ao condomínio tem o dever legal de ressarcir a coletividade”, afirma. Se a unidade não realizar o pagamento, será considerada inadimplente e o condomínio poderá propor a devida ação de cobrança, complementa Cristiano.
Campanhas preventivas de conscientização e instalação de câmeras parecem ser as duas medidas mais indicadas na prevenção ao vandalismo. Para o consultor de segurança José Elias de Godoy, através das câmeras do CFTV é possível ter uma visão global do edifício, inclusive de locais isolados e fora do alcance dos porteiros. “O CFTV pode ser considerado um vigia eletrônico, alerta a tudo, a todo instante e em tempo real, desde, é claro, que suas câmaras sejam instaladas em pontos estratégicos dentro do edifício”, sustenta.
O administrador de condomínios Claudio Anauate ressalta outro ponto importante: o síndico não deve descuidar da qualidade das gravações, para permitir uma boa identificação dos autores. Claudio acredita no poder das gravações. E comprova com os índices de vandalismo em elevadores. “Há alguns anos eram comuns os danos em elevadores. Hoje, com a imensa maioria dos elevadores dotada de câmeras, o problema praticamente desapareceu. Atualmente, até a postura das pessoas dentro dos elevadores é diferente, pois elas sabem que estão sendo observadas”, resume.
Por Luiza Oliva
Procedimentos de Segurança para Controle de Acesso
O condomínio deve contar com procedimentos a serem seguidos para a entrada de visitantes, entregadores, prestadores de serviços e corretores de imóveis.
Entregadores de água mineral, de pizza, da farmácia, do supermercado, da lavanderia, assistência técnica de eletrodomésticos, marceneiros, pedreiros, manicure, professor particular, corretores de imóveis... A lista de entregadores e prestadores de serviços que chegam aos condomínios todos os dias parece não ter fim. A atenção dos funcionários da portaria deve ser muito grande na liberação do acesso da entrada ao condomínio. Porém, quem e como deixar entrar? Para evitar falhas na segurança, é fundamental que o condomínio conte com procedimentos, aprovados em assembléia, que nortearão as ações da portaria.
Segundo o consultor em segurança condominial Florival Ribeiro, também instrutor do Secovi-SP, a regra número um é identificar cada pessoa que entra no condomínio. “Na chegada de um visitante, o porteiro deve se perguntar se conhece aquela pessoa. O ideal é que o morador faça o reconhecimento visual através do CFTV. Se o morador não estiver visualizando pela TV, o porteiro deve informar inclusive quantos visitantes são”, adverte. Deve ser registrado num livro de visitas, ou no programa de computador apropriado, o nome e o RG da pessoa. Visitantes habituais, como familiares do morador, também devem ser cadastrados, eliminando-se apenas o registro do RG. “O namorado, ou namorada, visitante é um exemplo típico com o qual devemos ter atenção. O porteiro pode não saber que houve um rompimento do namoro e autoriza a entrada sem ao menos interfonar para o apartamento. A regra é pedir autorização e cadastrar sempre. Em síntese, apenas moradores têm livre acesso ao condomínio”, justifica Ribeiro.
Também entregadores não devem entrar no edifício. O indicado é que o morador desça para receber suas encomendas. Jamais o porteiro deve sair do seu posto de trabalho para receber o que quer que seja. “Portaria não é depósito. Se o condomínio decidir que deve oferecer esse serviço para seus condôminos, deve determinar um ambiente para guardar encomendas e um funcionário para recebê-las. Cada edifício tem suas particularidades e em função delas deve definir um manual de procedimentos operacionais”, atesta o especialista.
No condomínio onde Daniela Spina Paiva é síndica, entregue pela construtora há cerca de dois anos, o manual de procedimentos baliza as atitudes da portaria. O controle de acesso ao condomínio é rígido. Visitantes e prestadores de serviços são anunciados pelo interfone aos apartamentos. Se liberados, devem fazer seu cadastro na portaria. O porteiro coloca os dados no sistema do computador e fotografa o visitante. Daniela lembra que principalmente na implantação do sistema houve queixas sobre o controle. “Como a maioria dos apartamentos estava sendo montado ou reformado, pela manhã chegava a se formar uma fila de 20 a 25 prestadores de serviços aguardando liberação de entrada”, conta a síndica.
Daniela investiu na divulgação dos procedimentos para minimizar as reclamações. “Distribui diversas circulares para que os moradores ‘comprassem’ a idéia da segurança. Houve problemas pontuais, com moradores mais estressados, que administrei com muita conversa e em alguns casos com advertências. Muitos condôminos moravam em casas e quando se mudaram para um condomínio se recusavam a aceitar as regras existentes”, constata a síndica. É difícil para alguns moradores, por exemplo, aceitar que a compra do supermercado não pode entrar até o apartamento – e que ele deve descer para retirá-la. “No início, comprei muita briga. Mas, especialmente em um condomínio grande, se não houver normas bem definidas e esclarecidas, depois não há mais controle”, acredita. Daniela tomou o cuidado de discutir muito bem com o conselho todos os procedimentos adotados e aprová-los em assembléia. Hoje, ela acredita que a grande maioria dos moradores compreende a necessidade do rigor na triagem da entrada do condomínio.
Corretores: um caso muito especial
Edifícios novos ou antigos, de todos os padrões, pequenos ou com muitas torres. Não importa o tipo do condomínio, todos convivem com a presença constante de corretores de imóveis. Basta um apartamento à venda ou colocado para locação para que a portaria precise liberar a entrada de corretores e clientes. Porém, todo cuidado é pouco. O visual elegante de corretores de terno ou corretoras de tailleur, acompanhados de simpáticos e distintos clientes, não deve iludir o porteiro. Conforme José Augusto Viana Neto, presidente do Creci-SP (Conselho Regional de Corretores de Imóveis), a portaria deve exigir documentação do corretor, como a carteira profissional do Creci (um documento de identidade válido em todo o território nacional) ou o cartão anual de regularidade (documento com foto expedido pelo Creci).
“O Creci orienta os síndicos a verificar a correta identificação do corretor de imóveis”, comenta Viana. O presidente da entidade completa que todos os acompanhantes do corretor também devem ser identificados e cadastrados na portaria. “Orientamos inclusive o corretor para que faça a identificação prévia do provável comprador antes de sair da empresa, inclusive com foto. Temos responsabilidade, pois estamos colocando um estranho dentro da casa de nossos clientes”, admite.
Há casos de corretores assaltados dentro do apartamento. O cliente na verdade era um assaltante, que roubou o corretor, deixando-o trancado dentro do apartamento. O ladrão saiu pela porta da frente do condomínio sem ser incomodado pelo porteiro. Em outro tipo de golpe, o bandido visita o apartamento com o corretor. Volta no dia seguinte dizendo que quer dar uma outra olhada no imóvel, que ainda está habitado pelo proprietário. Diz que poderão fazer negócio direto, sem o corretor. “O cliente fica entusiasmado e deixa o bandido entrar, para roubar ou seqüestrar. Infelizmente, hoje os marginais estão cada vez mais criativos. Os porteiros precisam ter noção de que são responsáveis pela segurança de todas as famílias do condomínio”, adverte.
Para Hubert Gebara, vice-presidente de Administração Imobiliária e Condomínios do Secovi-SP, uma maneira de garantir a segurança seria o condômino que está comercializando seu imóvel entregar a negociação a apenas uma imobiliária. “A exclusividade é o primeiro passo para a segurança. Essa atitude facilita também a identificação do corretor pelo porteiro”, acredita.
O consultor de segurança Florival Ribeiro complementa que o condomínio não pode direcionar a escolha da imobiliária. Porém, pode exigir, aprovando em assembléia, que o condômino informe à administração a imobiliária e os nomes dos corretores autorizados a visitar o apartamento. “O morador deve estar consciente que deve contratar apenas corretores credenciados pelo Creci, e entregar por escrito quem está cuidando da transação comercial. E importantíssimo: não se esquecer que todos os acompanhantes do corretor devem ser cadastrados como visitantes, estranhos ao prédio”, finaliza.
Por Luiza Oliva
Alarmes monitorados - tecnologia e proteção
Por Márcia Correia
Quando se escolher morar em um condomínio, uma das maiores vantagens é a segurança. Para atingir esse objetivo, os prédios investem cada vez mais em equipamentos eletrônicos. Um deles é o alarme monitorado. Hoje, é um dos serviços indispensáveis para controlar a entrada de invasores nos prédios.
Segundo Selma Migliori, presidente da Abese (Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos), antes de instalar um sistema de alarmes, é importante a elaboração de um projeto de segurança. “O síndico deve analisar os pontos mais vulneráveis e locais de acesso ao prédio para evitar qualquer tipo de tentativa de invasão. As instalações dos equipamentos dependem da necessidade do condomínio”, explica. Ela também destaca a utilização do monitoramento externo: “É importante que o edifício esteja conectado com uma central por meio de uma linha telefônica, rádio ou celular. Geralmente, essa empresa faz a instalação e a manutenção do equipamento.”
Já o consultor de segurança e instrutor do Secovi-SP, Florival Ribeiro, afirma que, apesar de a maior parte dos condomínios contratar empresas para monitorar, o serviço também pode ser realizado pelo prédio. “Quando é realizado internamente, a ação é imediata. O porteiro já avisa para todos os apartamentos, que podem se proteger. Já no monitoramento externo, o processo é muito mais demorado. No momento de um roubo, essa empresa vai perguntar para o porteiro senha, contra-senha, etc. Somente depois é que as providências serão tomadas. Às vezes, o ladrão até já saiu do prédio”, revela Ribeiro.
Entre os alarmes mais modernos, existem recursos avançados. “O síndico pode contar com um equipamento que faz a interconexão entre o circuito fechado de televisão (CFTV), cercas elétricas, sensores, botões de pânico, vaga de emergência e o serviço de alarme monitorado 24 horas. Assim, os condôminos, a guarita e a Central de Monitoramento são acionados simultaneamente caso ocorra algum imprevisto. O sistema é bastante eficiente para evitar arrastões em prédios, pois permite que todos os moradores sejam avisados”, considera Ana Carolina David da Silva, coordenadora de marketing de uma fabricante de alarmes.
Mas o consultor de segurança em condomínios, Marcos Paiva, alerta que podem ocorrer alguns problemas: “Às vezes, os ladrões cortam a linha telefônica e a central não recebe o aviso. Por isso, um sistema eficaz é o GPRS, que utiliza a internet do celular para se comunicar com a central. Esse equipamento não pode ser cortado. Deve-se tomar cuidado também com a instalação. Se mal feita, o alarme fica disparando. Para resolver o problema, muitas empresas até desligam e se acontecer uma invasão, não vai funcionar”, comenta Paiva.
Para Ribeiro, mais importante do que investir em equipamentos eletrônicos é integrar as pessoas na proteção do condomínio. “Quem faz a segurança não é o equipamento, mas sim as pessoas. O comportamento dos moradores e funcionários do prédio ajuda a evitar esses tipos de ocorrências”, avalia o consultor.
Blindagem de guarita
Com o aumento da violência, cresce cada vez mais o número de condomínios que investem em segurança. O alvo dos criminosos, na maior parte dos casos, é a guarita. Blindar o local, portanto, é indicada para garantir a segurança de todos.
A Blindare é uma das empresas que trabalha com blindagem de guarita. O proprietário, Rafael Sandrini, acredita que esse serviço é importante para preservar o patrimônio e, principalmente, a vida do porteiro. "Com uma guarita blindada, o porteiro tem mais alguns instantes para tomar atitudes como acionar o botão de pânico e se comunicar com a empresa de segurança”, diz. Sandrini ressalta que cresceu muito a procura pela blindagem. "Hoje, 75% dos nossos clientes são condomínios. Isso porque houve um aumento da criminalidade e o custo da blindagem diminuiu. Está muito mais acessível. O serviço não fica restrito apenas a prédios de alto padrão", analisa, comparando com a blindagem de veículos: "Esse tipo de blindagem está ligado à classe AA, com carros de luxo. Mas, os síndicos e administradores de condomínios estão descobrindo que blindar a guarita não tem um custo tão alto quanto blindar um veículo."
A blindagem deve ser feita na porta, nos vidros laterais da guarita, no sistema de ventilação, etc. De acordo com a norma da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) NBR 15000, há níveis de blindagem. O nível 1 protege, por exemplo, contra projéteis de revólver 38, enquanto o 2 é indicado para pistola Magnum 357 e pistola 9 mm. Já o nível 3A serve para disparos de armas Magnum 44 e submetralhadora 9 mm e o nível 3 é apropriado para armas como fuzis, K47, AR 15. Rafael Sandrini explica: "O nível mais utilizado para guaritas é o 3A, que protege contra disparos da maior parte das armas. Como o nível 2 tem um custo muito próximo ao 3A, os condomínios escolhem o 3A." Segundo ele, a Blindare conta com o certificado do Exército para realizar a blindagem. "Nossos vidros são testados de acordo com a norma. Fazemos cinco disparos em cada corpo de prova. Nossos fornecedores também têm o certificado", garante.
Desde 2001 na área de blindagem de guarita, a Ima Glass é outra empresa especializada. O diretor técnico, Marcelo Rohden, afirma que os síndicos devem se preocupar, principalmente, com dois aspectos: "Em primeiro lugar, a porta da guarita também deve estar blindada. Muitos querem economizar mas, sem a porta protegida, continuam correndo riscos. Isso porque a maior parte das rendições acontece por essa entrada. Em segundo lugar, muitos condomínios optam pelos serviços de serralherias para blindar a guarita. No entanto, os acabamentos são de baixa qualidade." E aponta: "Hoje, o diferencial é a blindagem arquitetônica, que conserva as características do prédio, o estilo e as cores", diz ele, completando que a empresa, também fabricante de vidros, além de fazer adaptações, também constrói guaritas. Rohden alerta: "Os síndicos devem estar atentos aos contratos, pois algumas empresas colocam determinado nível de proteção dos vidros, mas usam a norma americana, que é diferente da brasileira. O nível 3 dos Estados Unidos é equivalente ao nível 2 do Brasil."
A ECM Blindagem tem nove anos de mercado. O proprietário, Edson Carlos Moraes, lembra que, hoje, algumas construtoras fazem o projeto do prédio com a guarita blindada para valorizar o imóvel. Segundo ele, é necessário que o vidro tenha a película anti-estilhaço. "Essa película protege o vigilante de qualquer fragmento de vidro que possa atingi-lo em casos de disparos", explica. Para Moraes, quando se fala em blindagem, não se pode apenas pensar nos vidros. "Também deve-se colocar chapas de aço nas paredes. Caso ocorra um tiroteio, a alvenaria não é segura. Além disso, é importante contar com porta-volumes, para evitar o contato do porteiro com prestadores de serviços ou entregadores", acrescenta.
Já a Seg Lock, empresa há dois anos no ramo de blindagem, considera que, em guaritas, um fator que pode causar reclamações é a falta de ventilação, principalmente se o local tiver um tamanho pequeno. A Seg Lock faz um sistema de ventilação com persiana blindada, utilizando-se de um tipo especial de esquadria em que há uma abertura na guarita, mas não permite a passagem de balas de armas, assegura a empresa. Quando o condomínio solicita a blindagem, a empresa realiza uma avaliação antes do serviço, analisa a guarita, observa se há necessidade de mais uma porta, o ponto de visão do bandido, os acessos, etc. A Seg Lock conta com a autorização da CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos) e seus fornecedores de vidro são certificados pelo Exército, testados em espessura e qualidade. Oferece ainda garantia de três anos, mas se um tiro atingir o vidro, o condomínio paga novamente para a instalação do material. A garantia refere-se a problemas como infiltrações, por exemplo.
A Ace Brazil, há cinco anos no mercado, além de ser especializada em blindagem arquitetônica, também comercializa película de segurança. Feitas em poliéster tratado com ácido corona de alta qualidade (PET), essas camadas são colocadas na parte interna dos vidros. O responsável pelo departamento comercial da Ace Brazil, Marco Cueto, explica as vantagens da aplicação: "A película evita que ocorra o estilhaçamento em casos de disparos. Também tem um baixo custo e pode ser instalada em qualquer guarita. Às vezes, são necessários pequenos ajustes." A Ace Brazil também produz o próprio vidro blindado. "Trabalhamos com uma composição desenvolvida por nós e temos uma durabilidade maior em relação aos produtos que já existem no mercado”, finaliza.
Comunicação e acessórios
Com a guarita blindada, é fundamental também que o porteiro conte com um sistema de comunicação eficiente. A Sonatec, empresa do Grupo Systec, desenvolveu, há nove anos, o "Communicattor Box", um sistema para cabines de guaritas blindadas ou convencionais. "O porteiro se comunica com o público por um microfone. Isso não expõe o profissional. É feito em alumínio maciço, com parte interna e externa, e não prejudica a estética do prédio", ressalta o diretor da Sonatec, Iatyr Cesquim. Ele afirma que a empresa já instalou mais de mil peças e que praticamente não tem reclamações de defeitos. Se o cliente solicitar, a empresa inclui uma proteção para o equipamento. "Se a peça ficar exposta à chuva podem acontecer defeitos. Por isso, fazemos uma proteção em acrílico", justifica Cesquim. Ele lembra que o aparelho é de fácil manuseio e instalação. Mandamos uma equipe e, no mesmo dia, instalamos." Ele avalia que esse tipo de tecnologia foi pioneira no mercado brasileiro e que é importante para todos os condomínios. "Não adianta somente ter a guarita blindada. Tem que ter um sistema de comunicação para isolar o porteiro do contato externo", enfatiza.
Com três anos de atuação, a Vital Corp é especialista na instalação de equipamentos de segurança. A empresa trabalha com portas, feitas em aço, além de passa-volumes, caixilhos, passa-pizzas e torniquete. Os fornecedores são certificados pelo Exército. "O acabamento é feito de acordo com a necessidade do cliente, como por exemplo, as pinturas das portas", afirma Márcio Antônio Berto, gestor da Vital Corp. Ele comenta que o diferencial da empresa são os funcionários especializados. O cliente solicita e mandamos uma equipe no local. É feita uma vistoria, uma pré-análise e, a partir disso, elaboramos o projeto completo. Com a aprovação, fazemos a instalação, que pode levar um dia ou mais. Atendemos condomínios em geral, com os serviços e produtos de acordo com a ABNT", sustenta Berto.
Drogas em condomínios
Levantamento nacional realizado junto às escolas públicas pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), vinculado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) aponta que o contato com as drogas lícitas, principalmente o álcool, representa a porta de entrada de jovens e adolescentes no vício das ilícitas.
A conclusão não é diferente de estudo comandado pelo psicólogo Wagner Abril Souto, coordenador do Centro de Referência em Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), da Secretaria de Saúde do Estado. “Para 50% dos adolescentes atendidos pelo Cratod, os pais fazem uso abusivo do álcool, que introduz isso a eles.” De forma geral, aponta Wagner, a facilidade de acesso, a generalização da distribuição em todos os estratos sociais, o exemplo familiar negativo, além do barateamento das drogas, constituem os principais fatores que predispõem ao consumo.
É um assunto tão complexo quanto pouco falado ou debatido nos condomínios, afirma o síndico Maurício Jovino, do Residencial Guignard, na zona leste da Capital paulista. Há cerca de cinco anos, Maurício conseguiu resolver um problema de consumo que acontecia no espaço comum dos sete edifícios do Guignard. “Você fica sozinho numa situação dessas, mas precisa decidir junto com a comunidade o que fazer”. “É uma das questões mais delicadas para lidar nos condomínios, porque a maior parte das famílias empurra com a barriga e finge que o problema não é com elas.” Por outro lado, “elas acabam rompendo os laços com os filhos, estimulando ainda mais o consumo”.
Para o psicólogo Wagner Souto, “não fugir do problema e estabelecer boa relação afetiva” representa o grande “fator de proteção” contra o contato e a dependência das drogas, mesmo porque, “o adolescente começa com as lícitas, como o álcool e tabaco, que ele encontra na própria família”. Tudo depende, acrescenta, “da relação que ela estabelece com esse uso, pois ao pedir aos jovens que comprem as lícitas, apesar da proibição da lei, estão dando estímulo à própria experimentação”. Nesse sentido, o síndico Maurício Jovino optou por estabelecer inicialmente um diálogo com os jovens usuários e, depois, com os próprios familiares, orientado por especialistas e apoiado pelo conselho e outros moradores. “Tivemos uma conversa franca, oferecemos opções de auxílio gratuito, descartamos o enfrentamento”, diz.
Mas alguns cuidados foram adotados para que se abrisse a interlocução. O primeiro foi comprovar o consumo nas áreas comuns e identificar os usuários. Segundo o advogado Cristiano de Souza Oliveira, “é preciso ter certeza, provas nas mãos, não adianta ‘ouvir dizer’”. “O funcionário tem que ter visto e formalizado ou as câmeras registrado o fato. Com essas informações, o síndico deve chamar os responsáveis, mas sempre por escrito”, recomenda. Ainda assim, ele pouco pode fazer, a não ser solicitar providências aos pais, mas sem enfrentamento.
“O síndico não tem competência para fazer nada mais a não ser pela conscientização. Qual a responsabilidade dele? Ele não pode ser omisso”, complementa. Acionar a polícia também pouco tem ajudado, pois, segundo Cristiano, há um entendimento das áreas da segurança pública e judiciária de que as ocorrências dentro dos condomínios referem-se ao espaço privado e que, portanto, não podem ser apuradas exceto sob mandado judicial. A situação adquire mais complexidade quando o consumo ocorre dentro de casa e incomoda os vizinhos mais próximos. “Ao síndico cabe apenas pedir que a reclamação seja colocada no papel e, no máximo, como segundo passo, comunicar o morador que está havendo a queixa contra ele”, observa Cristiano. Recorrer ao Artigo 1336, Inciso IV , do novo Código Civil, que aborda a questão da salubridade, poderia dar algum respaldo à administração, quando, por exemplo, o consumo resultasse em barulhos ou demais incômodos, mas esse é um caminho complexo, observa o advogado. “Seria partir para o enfrentamento”, analisa.
O consultor em segurança Waldir de Oliveira Samora também sugere o caminho do diálogo. “O síndico não pode estar sozinho, precisa do apoio da comissão e da família.” De qualquer forma, algumas ações preventivas podem ser adotadas pela administração, pondera Samora. “A chave está na vigilância, feita tanto pelos funcionários quanto pelos equipamentos, como o circuito de CFTV ”, diz. Os locais ermos devem ser iluminados ou ter seu acesso restrito por barreiras físicas, acrescenta. O síndico Maurício Jovino lembra, por exemplo, que alguns comportamentos típicos sinalizam o consumo de drogas entre os jovens e adolescentes. “Eles formam grupos e se isolam da comunidade, falam baixo, frequentam locais pouco iluminados, distantes da vigilância dos funcionários ou das câmeras e se desarticulam rapidamente quando chega alguém estranho a eles.”
Já a venda ou entrega de entorpecentes dentro dos condomínios pode ser identificada por meio de visitas constantes e rápidas de dois a três jovens estranhos ao local, entre eles pelo menos uma garota, principalmente no horário da tarde, indica Waldir Samora. O consultor observa que “o acesso está muito fácil, foi pulverizado”. Somado a isso, fatores como a curiosidade, amizades e a frequência a locais de uso predispõem à experimentação e posteriormente ao vício, afirma. “O mundo moderno tirou um pouco dos pais o controle sobre os filhos. Mas a base de tudo ainda está na educação”, conclui Samora.
Direcional Informa: Segurança - Guarita
No cockpit do prédio, comando e estrutura invioláveis
Por Rosali Figueiredo
Com um investimento em torno de R$ 70 mil, aplicado gradualmente nos últimos dois anos e meio, o Condomínio Mirante do Parque, localizado em Perdizes, zona oeste de São Paulo, conseguiu finalmente colocar sua portaria dentro do padrão que os especialistas em segurança definem como inviolável. “A concepção da guarita mudou. Blindamos vidros e portas, implantamos eclusa no acesso de pedestres e automóveis, fechamos a janela, e instalamos ar condicionado, passa objeto e interfone para a comunicação com os moradores. Temos um novo circuito de CFTV , digital, que funciona junto com o anterior, analógico. E treinamos o porteiro, para que ninguém acesse o local nem entre no prédio sem prévia autorização”, descreve o síndico e advogado José Augusto de Moraes, em seu terceiro mandato no condomínio.
Tamanho investimento pretende repelir a ação dos ladrões, pois a portaria, além de atender e recepcionar as pessoas, assumiu a função de monitorar a segurança interna e externa dos prédios, justifica o consultor em segurança Florival Ribeiro. Mas boa parte dos prédios “está inadequada para o exercício destas atividades”, ressalva.
Para o especialista Nilton Migdal, “a guarita é o cockpit do prédio”. “O porteiro tem sua direção e não se consegue fazer um arrastão sem rendê-lo.” Por isso a ideia de projetar uma “célula segura”, combinando estrutura física, como a blindagem total (com alvenaria) ou parcial (vidros, portas e venezianas), com procedimentos rigorosos em termos de acesso. Nesse sentido, a comunicação direta com os prestadores de serviços, entregadores de encomendas ou moradores ficaria completamente vetada, recorrendo-se aí aos interfones e aos passa objetos.
No condomínio Mirante do Parque a segurança da portaria ganhou um ingrediente a mais: cada morador pode acessar, via internet, todo o movimento que acontece no seu interior, por meio da transmissão das imagens captadas pelas câmeras. Nilton Migdal sugere também que os edifícios instalem alarmes nos andares, para alertar os moradores em situações de risco. “Se o bandido perceber que não consegue render nem o porteiro, nem o prédio todo, ele não faz o arrastão”, comenta.
Um bom aparato de comunicação envolve todo o sistema de segurança (interno e externo), como alarmes, CFTV , controle de acesso dos portões (pedestres e garagem), portas de acesso ao prédio (hall social e serviço), mais o controle da iluminação e dos elevadores, enumera Ribeiro. Nesse sentido, a localização da portaria é estratégica. “Ela deve estar o mais próxima possível da calçada, pois recepciona pessoas e recebe mercadorias”, observa Ribeiro. “Seu projeto arquitetônico deve garantir ampla visão das regiões externas (frente e lateral direita e esquerda).” O consultor desaconselha o uso de películas escuras nos vidros, justamente por dificultar a visão do porteiro, um erro muito comum nos prédios em São Paulo.
Recomenda-se também a blindagem, em um padrão que seja resistente a disparos de arma de fogo até o calibre 44, sugere Ribeiro. As empresas do segmento devem operar sob licença concedida pelo Exército brasileiro, nas atividades de fabricação, armazenamento, comercialização e transporte do material, que é considerado bélico e regido pelo Decreto nº 3.665\2000 e pelo regulamento R – 105. Elas também dependem de alvará da Polícia Civil e precisam atender aos requisitos da NBR 15000/2005, estabelecidas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).
Outro ponto importante é o perfil do funcionário, que deve conciliar a rigidez da segurança com a polidez no trato com as pessoas. Finalmente, é preciso garantir boas condições de trabalho, com banheiro privativo, bebedouro e, claro, ar condicionado.
Por um condomínio mais seguro
É possível deixar o condomínio mais seguro complementando equipamentos adequados, treinamento dos funcionários e procedimentos de segurança.
Até que ponto os condomínios oferecem segurança a seus moradores? Ultimamente, a ousadia e os novos métodos de ação dos assaltantes têm colocado em risco muitos edifícios, até mesmo os que contam com equipamentos de segurança. "O grande fator da insegurança é o próprio ser humano. Pelo lado do bem, há muita desatenção. E pelo lado do mal, há criatividade", comenta José Elias de Godoy, tenente da PM, instrutor e consultor de segurança. Godoy lembra de truques utilizados pelos bandidos para entrar em condomínios, como o uso de carro clonado ou película nos vidros, o que impede a visibilidade de quem está no carro. Segundo o consultor, em 90% das ocorrências em condomínios o bandido entra pela porta da frente. "É preciso ser rígido no controle de acesso para minimizar os riscos", completa.
O portão da garagem é o ponto mais vulnerável do condomínio, na opinião de Godoy. A lentidão dos portões aliada ao grande espaço disponível facilita a ação de assaltantes. Ele recomenda o uso de dois portões, a conhecida gaiola com sistema de intertravamento, onde o segundo só abre depois que o primeiro fechou, sempre com grades ou muros altos ao lado (para não permitir que ladrões pulem dentro da gaiola). Carros com película fumê nos vidros complicam o trabalho dos porteiros. "O morador deve poder ser identificado pelo porteiro. Senão, o trabalho do funcionário se transforma numa roleta russa", diz.
Se o objetivo é proteger o acesso e vigiá-lo ao máximo, o ideal é que o condomínio tenha o mínimo de entradas possíveis. A guarita, preferencialmente blindada, deve ficar entre o portão de veículos e o de pedestres. "O porteiro precisa ficar isolado e o ladrão jamais pode assumir a guarita", justifica Godoy.
Um acessório fundamental a ser colocado na portaria é o passador de encomendas. Esse, aliás, é um dos temas mais polêmicos em se tratando do controle de acesso ao condomínio: a permissão, ou não, da entrada de entregadores nos apartamentos. No condomínio da síndica Nélia Rosane Almeida não é permitido que nenhum fornecedor suba aos apartamentos. Se o morador agendou a visita de alguma assistência técnica e não estará em casa deve avisar a portaria. Mesmo que a empregada do apartamento autorize a entrada, e se o morador não avisou a portaria, a ordem é barrar o visitante. Da mesma maneira, se o condômino chegar de carro mas estiver sem o controle do portão o porteiro não abre, se o morador não se identificar. "E preciso ser muito minucioso em relação à segurança", acredita a síndica.
Fonte: www.direcionalcondominios.com.br
|
 |