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Segurança patrimonial - parte2

SEGURANÇA: Treinamento: arma número 1 contra a violência

Mesmo investindo em equipamentos eletrônicos, o síndico não deve descuidar da formação dos funcionários.

Por Luiza Oliva

O síndico, preocupado com a segurança do condomínio, contrata um profissional para preparar um projeto, que prevê a instalação de equipamentos eletrônicos, como alarme, sensores infravermelhos e cerca elétrica, cota com várias empresas o custo dessa estrutura e consegue aprovar em assembléia. Vitória contra a violência, imagina o síndico. Falta, porém, detalhe dos mais importantes para garantir a eficiência do projeto: o treinamento dos funcionários.

Para José Elias de Godoy, consultor de segurança em condomínios e autor dos livros Manual de Segurança em Condomínios e Técnicas de Segurança em Condomínios, na grande maioria das vezes a entrada dos assaltantes em condomínios acontece pela portaria principal do edifício. “Numa parte dos eventos, os porteiros, por desatenção ou mesmo inexperiência, são enganados pelos meliantes. Outro tanto dos assaltos se dá pelo descuido dos moradores”, informa. “Podemos concluir que os assaltantes detectaram um enorme furo no sistema de segurança dos condomínios e, portanto, estão se aproveitando das falhas humanas a fim de realizarem seus atos delituosos. Isso somente é possível devido à desqualificação profissional de seus funcionários, já que são facilmente ludibriados ou simplesmente agem por pura ingenuidade”, completa.

Os síndicos devem considerar o treinamento dos funcionários um investimento, mais do que um simples gasto. “Onde existem pessoas prestando serviços para outras, a única forma de se modificar comportamentos distorcidos é através de um bom treinamento. É um engano acreditar que, como já se investiu em equipamentos, não há necessidade de qualificar os funcionários. O retorno vem através de uma maior qualidade na mão-de-obra de portaria”, avalia Godoy.

A síndica Mariza Carvalho Alves de Melo coloca periodicamente os porteiros do condomínio onde é síndica, na Vila Clementino, para realizar cursos. “Sempre é possível aprender coisas novas. Eles precisam se reciclar, mesmo porque os bandidos mudam suas táticas”, acredita. Florival Ribeiro, consultor de segurança e instrutor da Universidade Secovi, concorda com a síndica e aconselha que seis meses é um período razoável para oferecer à equipe novos treinamentos. Ele inclusive indica que os treinamentos realizados dentro do próprio condomínio tornam-se mais personalizados. “Fora do condomínio os treinamentos ocorrem de forma padrão. No prédio há possibilidade de ocorrer ajustes do sistema de segurança, seja apertando mais o esquema ou flexibilizando-o. Todos esses ajustes, é claro, devem ser transmitidos para a equipe e para os procedimentos de segurança adotados pela comunidade”, diz.

Um exemplo de situação que deve fazer parte dos procedimentos do condomínio, e para a qual os funcionários precisam estar treinados, é a presença do morador na clausura de pedestres rendido por um bandido. A ação de reter o morador com o bandido, desde que aprovada em assembléia e inclusa no manual de procedimentos de segurança, frustra uma ação de arrastão no condomínio, explica Ribeiro. Os porteiros devem estar treinados, enfim, para lidar com situações de conflito. Se o morador quer burlar, de alguma maneira, o sistema de segurança, o empregado deve estar orientado a não discutir com o morador. “Os funcionários devem funcionar como marronzinhos dentro do condomínio, registrando sempre por escrito se o condômino descumpriu uma regra dos procedimentos. A obrigatoriedade da comunicação escrita deve constar dos procedimentos. Assim eles fiscalizam o sistema sem medo de serem punidos”, aponta o especialista.

Outra situação importante é a qualidade do monitoramento das imagens do CFTV, particularmente em edifícios com mais de 30 câmeras instaladas. Conforme Ribeiro, prédios com esse padrão precisam de funcionários preparados para a tarefa, ou mais precisamente controladores de monitoramento. “Se a função das câmeras é prevenir delitos, é preciso haver alguém monitorando as imagens numa central de monitoramento no próprio condomínio. Se o funcionário percebe algo estranho pelas câmeras pode agir, se comunicando com outro funcionário que irá até o local, prevenindo o problema”, orienta. O porteiro funcionaria apenas como um apoio ao monitoramento das imagens. É possível disponibilizar para o porteiro algumas imagens que interessam à portaria, e orientá-lo a ficar atento àquelas câmeras.

Quando se trata de treinamento visando à segurança, é importante que todos os funcionários do condomínio, e não apenas porteiros ou controladores de acesso, recebam orientação. “Todos os funcionários, porteiros, zelador e faxineiros, devem ser treinados, já que eles fazem parte do sistema de proteção do condomínio”, afirma José Elias de Godoy. Florival Ribeiro complementa que o faxineiro é o mais importante agente de segurança dentro dos condomínios: “O faxineiro também deve ser valorizado, porque ele anda pelo prédio todo, vê situações e pode colher informações importantes para o sistema de segurança. Ele pode levar as informações relevantes para o zelador, e este para o síndico. Quem faz a segurança são as pessoas, e não as instalações físicas ou equipamentos eletrônicos.”

Por mais que nossos funcionários estejam treinados, nunca se deve descuidar. Marcos Carvalho, gerente de um condomínio residencial no Sumaré e vice-presidente do Conseg (Conselho Comunitário de Segurança) de Perdizes e Pacaembu, percebeu entre os síndicos que periodicamente participam das reuniões do órgão a necessidade de se discutir o tema segurança e treinamento de funcionários. “Sentia falta de algo mais consistente para oferecer aos síndicos”, diz. Em maio, o Conseg organizou uma palestra com o consultor José Elias de Godoy, que reuniu cerca de 70 pessoas, a grande maioria síndicos. Carvalho comenta que um grupo de síndicos presente se organizou e multiplicou as informações recebidas no evento entre os funcionários de seus prédios. “Fizeram posteriormente encontros de síndicos com zeladores e porteiros”, diz. Da sua experiência no prédio onde trabalha e também em seu contato com os síndicos no Conseg, Carvalho nota que, em relação à segurança, todo cuidado é pouco, tanto em relação à formação da equipe mas também com a orientação dada aos condôminos. “Acredito que o problema maior nos condomínios ainda são os moradores, que não querem seguir os procedimentos”, acredita. Mais uma vez, a insistência deve ser a palavra-chave. Depois de aprovados os procedimentos de segurança em seu condomínio, promova encontros para discutir o assunto, chame especialistas, cole reportagens e dicas de segurança nos quadros de aviso. Prevenção e educação nunca são demais.


Serralheria - Esquadrias: Serviços variados incluem da troca de janelas sem quebras a portões automatizados para condomínios

Algumas serralherias estão às portas da maturidade, completando 40 anos de atividades, e acompanharam toda a transição da mudança no uso da madeira ou ferro nas janelas das edificações pelo alumínio, um material mais leve e que proporciona melhor acabamento. Acompanharam ainda as mudanças da sociedade e passaram a oferecer itens indispensáveis à segurança, como clausuras e automatizações. Outras se lançaram há pouco tempo no mercado, mas estão concentradas no atendimento a toda e qualquer demanda dos condomínios, na qualidade dos serviços e em oferecer preços competitivos para chegar com igualdade de condições ao cliente. Mas todas, de maneira geral, dispõem-se a orientar bem o síndico ou administrador sobre as melhores soluções para cada necessidade, recomendando, por exemplo, a utilização do ferro nos lugares onde é preciso garantir segurança e resistência.

Segundo o empresário Emerson Mendes de Souza, da Serralheria Escala, o ferro ainda é o produto mais utilizado, “pois oferece maior segurança”. Já o alumínio, acrescenta, é empregado em áreas em que não há problemas de arrombamento ou nos locais com incidência de corrosão, especialmente nas regiões praianas. Também no processo de modernização das esquadrias, com a substituição de madeira ou ferro, o alumínio acaba sendo um material bastante requisitado, principalmente o anodizado fosco. “Com o desgaste proporcionado pelo tempo, é necessária uma reforma nas esquadrias e, muitas vezes, as edificações trocam o material para melhorar o seu visual arquitetônico”, diz.

A Serralheria Escala está há 21 anos no mercado e atua com “portões e automatizações, portas antiarrombamento, mezanino e coberturas, alarmes, cercas elétricas, ouriço e consertina, CFTV , interfones, intertravamento, controle de fluxo (semáforos), elevadores para carga e acessibilidade, corrimãos, guarda-corpo, escada tipo marinheiro (conforme normas de segurança do CONTRU), plataformas giratórias para estacionamento e garagens, entre outros”, enumera Emerson. Ou seja, além dos itens de serralheria, a empresa oferece uma “ampla cartela de serviços”, incluindo os segmentos de segurança e normas prediais. A novidade em 2010 é a entrada da Escala no ramo de elevadores para carga e também na adaptação à acessibilidade. Entre os condomínios, os serviços mais procurados são portões, automatizações, sistema de segurança, incluindo clausuras, controle de acesso e cerca eletrificada, além dos corrimãos, guarda-corpos e rampas de acessibilidade. Mas a Escala executa ainda troca de esquadrias sem quebras e fechamento de varandas e áreas de serviço. Segundo Emerson, seu grande diferencial de mercado é o profissionalismo e “um amplo conhecimento das normas técnicas e de segurança”.

Com um tempo de vida que já atinge quatro décadas, a Serralheria Marconi “acumula sólidos conhecimentos profissionais para oferecer os melhor resultados no desenvolvimento de suas atividades”, afirma seu fundador e proprietário, Luiz Claudio Marconi. “Executamos todo tipo de serralheria, seja em ferro (portões automáticos, etc.), ou em alumínio (janelas recolhíveis, antiruído, portões automáticos, coberturas em vidros e policarbonato, etc.)”, relaciona Luiz Claudio. O empresário destaca o pioneirismo de sua empresa na técnica de trocar esquadrias sem quebras, substituindo-as por peças novas em alumínio.

“Temos profissionais treinados e especializados prontos a prestar serviço rápido, limpo e eficiente, em azulejo e paredes contramarcos, entre outros.” A Marconi exibe uma carteira de “50 condomínios em que executamos a troca completa de todas as janelas, incluindo as áreas sociais, salão de festas, guaritas e os apartamentos”, diz. Com tamanha expertise, a Marconi incorporou construtoras de todo País à sua clientela, instalando janelas de alumínios em prédios novos. Mas atende às demais edificações, com fechamento de áreas de serviço e varandas. “Todas nossas peças são entregues com vidros”, destaca Luiz Claudio.

Na Serralheria Cordeiro, do empresário Anísio Cordeiro, empresa fundada há 38 anos, o portfólio de serviços envolve todo e qualquer serviço desta área. Assim, janelas, grades, portões, coberturas, escadas, grade com vidro, entre muitos itens, garantem uma boa oferta de soluções aos condomínios. Os portões e as automatizações figuram entre os serviços mais solicitados pelas edificações, observa Anísio. Segundo ele, a opção pelo ferro está associada aos equipamentos que requerem “mais segurança”, enquanto o alumínio em peças que demandam “melhor acabamento”. A Serralheria Cordeiro trabalha com os dois tipos de materiais, realizando a troca das esquadrias, tanto em unidades autônomas quanto em toda a edificação. Anísio registra que a empresa “está apta para executar qualquer serviço dentro da área de serralheria, com fidelidade e responsabilidade para com os seus clientes”.

Já na Serralheria Manu, seu proprietário, Manuel Francisco da Silva Junior, destaca que os trabalhos envolvem janelas, portas, portas de enrolar, portões, grades, escadas em caracol, portões basculantes, automatizações, coberturas de telha de zinco e policarbonato, fechamento de áreas, mezaninos, entre outros. A empresa utiliza ferros nas esquadrias, pois segundo Manuel, é o material mais solicitado, especialmente nas grades e portões. Este, aliás, é um dos fortes da empresa, estabelecida há 16 anos no mercado. O empresário aponta que nesta trajetória vem construindo a sua marca a partir da qualidade e da prática de preços razoáveis.

A caçula entre as empresas é a Serralheria da Vila ou Steel Garden Serralheria Arte, criada em janeiro de 2007 por Eduardo Brites Duarte. Nem por isso menos experiente ou comprometida com a qualidade dos serviços, ressalta Brites, proprietário que também responde como gerente comercial. Atuando com ferro e alumínio, o empresário observa que o primeiro “é aconselhado para todas as situações, pois trabalhamos como a linha galvanizada, que é antiferruginosa e muito mais resistente e segura”. No entanto, “o alumínio é mais utilizado nas janelas, pois representa um material mais leve e fácil de transportar, instalar e melhor na conservação e limpeza”, complementa.

Segundo Eduardo Brites, o ferro tem sido o item mais solicitado em São Paulo, “por ser mais seguro”. A Serralheria da Vila trabalha com grades, portões para garagem automatizados, clausura, cobertura em vidro e policarbonato, estruturas metálicas, corrimãos, bicicletários e lixeiras de rua. Ou seja, “atendemos a todo o segmento de serralheria, por isso queremos estar dentro dos condomínios, trabalhando em conjunto com os síndicos, conselheiros e moradores, buscando sempre fazer o melhor para todos”, finaliza Eduardo Brites.

 

Procedimentos

Um bom projeto de segurança para um condomínio deve somar equipamentos confiáveis, treinamento dos funcionários e colaboração dos moradores. Cerca elétrica, clausuras, câmeras coloridas digitais, interfonia digital, holofotes para clarear a rua, etc., não funcionam se os funcionários e moradores não estiverem devidamente preparados para utilizá-los. A comunicação é parte fundamental no projeto de segurança do condomínio.

O ideal é que as normas de segurança sejam votadas em assembléia e que elas atendam às peculiaridades de cada condomínio. O condomínio é de todos. portanto, a assembléia deve decidir se o entregador de pizza pode entrar ou não. Além do mais, com as decisões saídas de uma assembléia, o síndico tem poder legal para cobrar a postura adequada dos funcionários e dos próprios moradores.


Dicas de segurança

› Muitos condôminos se irritam com medidas restritivas de acesso ao condomínio, especialmente em relação a visitantes, entregadores e prestadores de serviços. Procure encarar esses procedimentos como um mal necessário. Os bandidos se aproveitam justamente de momentos de desatenção ou desleixo na segurança para agir. Elogiar a ação dos funcionários do prédio é fundamental para o aprimoramento do trabalho.

› Os condôminos devem possuir senhas para se comunicar com o porteiro em situações de emergência.

› Ao chegar ou sair da garagem, observe se não há estranhos ou suspeitos por perto.

› Contrate funcionários com referências (checadas). É fundamental oferecer treinamento aos porteiros, principalmente em relação ao manejo e funcionamento dos equipamentos de segurança.

› Nunca abra a porta do apartamento se a visita não foi anunciada pelo interfone. Por garantia, instale olho mágico nas portas de entrada.

› Oriente os funcionários a não comentar sobre a rotina do prédio e dos moradores com estranhos. O mesmo cuidado vale para as empregadas domésticas dos apartamentos. Muitas vezes, uma pequena informação transmitida ingenuamente serve de base para o planejamento de um assalto.

› Os funcionários da portaria jamais devem abandonar seu posto para prestar serviços particulares a condôminos. Também nunca devem ir até o portão para atender estranhos, possibilitando imobilização por arma de fogo. Ao atender estranhos, manter os portões fechados e as pessoas do lado de fora.

› O morador sempre deve ser consultado, para permitir a entrada de visitantes.

› No caso de entrega de encomenda, o morador deve comparecer à portaria.

› Nos horários de limpeza e recolhimento de lixo, mantenha as entradas do edifício fechadas.

› Antes de abrir o portão da garagem, deve-se identificar quem está no veículo. Na entrada ou saída de pessoas do condomínio, somente abrir o portão, após verificar se não há suspeitos próximos.

› Instalar equipamentos e dispositivos eletrônicos de segurança é um investimento indispensável na luta contra a violência. Procure empresas especializadas que façam uma análise de risco do imóvel, considerando as necessidades de segurança do condomínio. Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (Abese), devem ser levados em conta os recursos técnicos a serem utilizados (alarmes, circuito fechado de TV, controles de acesso) e a infra-estrutura do local . Nunca é demais lembrar que todo sistema eletrônico deve pertencer a um plano integrado de segurança (equipamento, treinamento, normas de conduta, rotinas, etc.)

 

Segurança do perímetro condominial

Especialistas em segurança condominial alertam que os bandidos acessam os condomínios especialmente pela porta da frente, em falhas de procedimentos, ou mesmo na total ausência deles. Apesar dessa tendência, o perímetro não pode ser descuidado. “Há dois tipos de invasão a condomínios: a entrada autorizada, quando o porteiro abre o portão para o bandido entrar, ou a forçada, menos comum. De toda forma, o grande objetivo ao melhorar a segurança do perímetro do condomínio é inibir as invasões”, pondera o especialista Nilton Migdal, graduado em Engenharia Civil pela Universidade de São Paulo, com especialização master em Business Security.

Para melhorar a segurança do perímetro condominial, Nilton sugere reforço na iluminação, barreira física e, acima dela, outro obstáculo. Segundo o especialista, é preciso investir tanto na iluminação constante como em sensores de presença, o que deve estar associado a câmeras. Já a barreira física, seja muro, grade ou vidro, deve ser complementada preferencialmente com cerca elétrica. “Prefiro a cerca aos sensores. Ela, por si só, é inibidora da ação do ladrão porque dá o choque e soa o alarme, antes da invasão. Já o sensor de infravermelho ativo só dispara o alarme depois que o bandido está dentro do condomínio”, compara.

Para Sérgio Ribeiro, diretor secretário da Abese (Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança), a cerca eletrificada possui um princípio de funcionamento bastante simples. “O sistema é basicamente composto por um eletrificador que gera tensão aplicada nos fios presos aos isoladores. Estes, por sua vez, estão presos às hastes que compõem a cerca de proteção. Após percorrer os fios da cerca, a tensão volta ao eletrificador, que efetua uma ‘medição’. Caso o valor medido esteja abaixo do valor mínimo que foi ajustado durante a instalação, o equipamento dispara um relé de saída, acionando o alarme”, orienta.

Apesar de simples, todo cuidado é pouco com a aquisição e instalação de cercas elétricas. Conforme Sérgio, o primeiro passo é contratar uma empresa legalmente constituída, com capacitação técnica e atendimento pós-venda comprovados. “Depois, o consumidor deve checar se o equipamento eletrificador atende às exigências da norma ABNT. É importante frisar que não existe legislação federal sobre o assunto, mas vários estados e municípios brasileiros já criaram suas leis que regulamentam a instalação de cercas eletrificadas e mais de 90% delas exigem que o equipamento eletrificador obedeça às normas técnicas editadas pela ABNT”, aponta.

Além das cercas, há barreiras mais ostensivas para o perímetro, como as concertinas. “Certamente segurança é ‘ostensividade’”, observa Nilton Migdal. Porém, ele indica que muros muito altos e completamente fechados podem significar riscos. “Defendo prédios mais vazados, por exemplo, com o entorno em vidro. Perde-se em privacidade, mas em condomínios que são verdadeiras fortalezas, depois que o bandido entra, não se vê mais nada e eles têm mais liberdade para agir”, pondera.

 

Segurança - Sistema de CFTV em condomínios

OLHARES INTEGRADOS A TODO O SISTEMA

Elizabeth Grabenweger é síndica há pouco mais de três meses e não teve dúvidas de onde deveria começar as melhorias necessárias quando assumiu. A segurança do condomínio foi prioridade. “Há 30 anos não se investia no prédio. Além do mais, estávamos muito defasados em termos de procedimentos. Para se ter uma ideia, ainda era permitida a entrada de entregadores nos andares durante o dia”, conta a síndica. Em relação aos equipamentos, o prédio tinha poucas câmeras, que não gravavam. Hoje, os porteiros já contam com a visualização, no monitor da portaria, de dez pontos do edifício através do CFTV.

A síndica Elizabeth agiu certo ao investir no sistema eletrônico de segurança de seu condomínio, segundo apontam os especialistas na área. E o CFTV talvez seja o equipamento que mais chama a atenção no conjunto de um sistema de segurança. Porém, é preciso estar atento justamente para a necessidade de fazer a integração de todo o conjunto. O consultor Florival Ribeiro costuma comparar o corpo humano aos diversos componentes eletrônicos. A pele é um sensor de alarme; as câmeras são olhos que veem o que está acontecendo; o alarme, de grande importância, vocaliza que algo errado está ocorrendo. “Até há pouco tempo, as câmeras não estavam integradas aos sistemas de alarme. Hoje, com a tecnologia IP, temos até câmeras com sistema de alarme: elas detectam, avisam e rastreiam os movimentos de um invasor, inclusive disparando o sinal”, explica Ribeiro. “Antes, a câmera era um fato isolado. Hoje, ela é um sistema de segurança fundamental para o ambiente que queremos proteger”, completa.

Segundo Marcos Menezes, diretor de comunicação da Abese (Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança), o mercado dispõe de câmeras para aplicações específicas e profissionais, indicadas para perímetros, portarias, entradas de pedestres e veículos, halls, cada uma com características próprias. Uma câmera ideal para ser instalada próxima aos muros do condomínio, por exemplo, dispõe de um software de análise inteligente de vídeo. Ela detecta situações como uma pessoa parada próxima ao muro por um tempo determinado e, conforme sua programação, envia um alarme, inclusive via e-mail ou SMS, notificando a portaria ou a empresa de monitoramento sobre eventuais anormalidades. “Esse recurso é a evolução da detecção de movimento das câmeras mais antigas”, explica Menezes. O equipamento, constata o diretor da Abese, facilita o trabalho dos porteiros, que passam a monitorar pelas imagens apenas as exceções. Florival Ribeiro destaca que, apesar das inovações tecnológicas, o ser humano continua essencial. “A câmera rastreia, grava e avisa do perigo, mas ainda precisamos do homem para resolver o assunto”, diz.

O excesso ou falta de iluminação, outro problema quando se trata de captação de imagens em condomínios, também tem solução com as novas tecnologias. O canhão de infravermelho é a saída para ambientes escuros. “Essa tecnologia é invisível a olho nu, tem durabilidade grande, de seis a oito anos, e ilumina entre 30 e 300 metros de distância. Além disso, não requer manutenção. Ao contrário, o custo de manutenção é alto quando se opta por equipamentos não profissionais, como holofotes”, aponta Menezes, da Abese. Há ainda câmeras com infravermelho integrado, porém, somente indicadas para ambientes restritos, como portarias. “Microcâmeras com leds só servem para guaritas”, orienta Ribeiro. Além das câmeras, é preciso cuidado também ao escolher o sistema de gravação e armazenamento das imagens, observa, por sua vez, Marcos Menezes.


Segurança: Modus Operandi

O FATOR HUMANO

Os arrastões continuam acontecendo nas grandes cidades, a despeito da utilização de aparatos tecnológicos cada vez mais sofisticados. As quadrilhas se aproveitam de brechas deixadas pela ausência ou o descumprimento de procedimentos de segurança e invadem os condomínios por um dos setores mais controlados, as portarias e as garagens. Confiram os cuidados necessários à prevenção e proteção.

Os números são grandiosos. Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (Abese), 650 mil imóveis são monitorados no Brasil por esses recursos tecnológicos, um mercado que envolve dez mil prestadoras de serviços e movimentou US$ 1,5 bilhão em 2009.

Sistemas de alarmes integrados, câmeras que armazenam áudio e vídeo, equipamentos que se utilizam da plataforma IP (a mesma da internet) para codificar e transmitir informações, além de sensores em infravermelho para proteção perimetral despontam entre as inovações.

Mas diante de outros números que não param de se repetir – em agosto de 2010 a Capital paulista registrou pelo menos três arrastões – os especialistas reiteram: é preciso articular os recursos físicos a normas de procedimento rigorosas, tanto para os moradores quanto os funcionários.

“Um processo de segurança eficaz é aquele que integra os recursos materiais (equipamentos), administrativos (normas) e humanos (funcionários e população fixa), possibilitando sua interação plena. Quando uma destas partes está desconexa, o processo de segurança tende a ser fragilizado e incompleto”, avalia o consultor Eduardo Lauande, especialista na área e pós-graduado em Israel. Informações da assessoria de imprensa da Delegacia de Repressão a Roubo a Condomínios da Capital indicam treze arrastões neste ano (até 1º de setembro). Em 2009, 15 ocorrências foram tipificadas como arrastões, afora grandes assaltos às unidades.

Nos casos de 2010, “o modus operandi dos bandidos continuam semelhantes” aos de 2009, afirma José Elias de Godoy, um dos idealizadores Programa de Prevenção e Repressão aos Roubos a Condomínios no Estado de São Paulo.

“Na Capital eles entram pela frente dos condomínios e, no Interior, utilizam também o perímetro para a invasão”, diz o autor do Manual de Segurança em Condomínios (Editora Igal, 1998) e de Técnicas de Segurança em Condomínios (Editora Senac, 2005). Segundo Elias, “observa-se que a maioria das invasões em condomínios tem ocorrido pela entrada de pedestres e veículos, com falhas de procedimentos de moradores e, principalmente, dos funcionários. Isto se dá pela falta de conscientização dos condôminos e pelo não investimento em treinamento dos colaboradores”.

EQUIPE INTEGRADA

Para a síndica Helga Machado Requena, do Condomínio Parque Residencial Vitória Régia, as regras de conduta têm sido de grande auxílio para a segurança interna e perimetral de suas duas torres e 272 unidades. “Não temos recursos tecnológicos de última geração, são 16 câmeras que funcionam 24 horas por dia e gravam as imagens, monitoradas em nosso próprio escritório, mas desenvolvemos um código de alerta com os funcionários, para conseguirmos transmitir, de imediato, mensagens sobre alguma anormalidade”, descreve.

“Sabemos que os equipamentos são de grande valia, mas não são 100% eficazes em caso de invasão, por isso precisamos do apoio de todos”, o que inclui a própria síndica (que também é gerente predial), o zelador, os funcionários da manutenção e limpeza, os porteiros e o corpo terceirizado da ronda. O condomínio, localizado no Mandaqui, zona Norte da cidade, adotou gradativamente, nos últimos dez anos, práticas que pudessem diminuir os riscos. Há um controle rigoroso de portaria, em que é anotado, em impresso próprio, toda e qualquer entrada no local de empregadas domésticas, diaristas, técnicos, prestadores de serviços e outros.

“São cerca de 150 a 200 pessoas circulando diariamente aqui”, justifica Helga. Os serviços delivery (pizzas, flores, presentes etc.) são registrados e não estão autorizados a adentrarem o condomínio. Prestadores de serviços devem apresentar crachá funcional e RG. Entregas de móveis somente com autorização expressa do morador. E as mudanças dependem de agendamento prévio.

No acesso dos veículos, são permitidos, em situações excepcionais, automóveis de não moradores, mas também sob controle. Há duas entradas de garagens, com funcionários exclusivamente destacados à vigilância e treinados para observar qualquer anormalidade. Novos residentes, inquilinos ou proprietários, preenchem cadastro e recebem, sob protocolo, o regimento interno do condomínio.

Entre as normas, há um termo de responsabilidade que todo adulto deve assinar caso receba um visitante menor de idade. Circulares contendo regras e dicas de segurança são frequentemente veiculadas, entre estas, a orientação de que não se formem rodas de conversas próximas à portaria ou postos de vigilância.

Finalmente, a cada dois meses Helga se reúne com os funcionários para discutir eventuais falhas e tirar dúvidas.

Os colaboradores terceirizados devem atender a um perfil previamente definido pelo condomínio (boa apresentação e domínio da escrita e leitura), além de vir uniformizados e treinados. “É tudo muito trabalhoso, no início tivemos muitas resistências dos moradores, que insistiam para a gente quebrar o galho, diziam que estávamos virando exército, mas imagina liberar a entrega de pizza numa sexta à noite, não seria nada fácil para os porteiros e a ronda controlar tudo”, exemplificaHelga.

TIPOLOGIA DO CRIME

De fato, o consultor José Elias de Godoy afirma que o fator humano responde por 65% das ocorrências e o uso de disfarces aparece como uma das estratégias mais comuns nas invasões.

Outro expediente comum é abordar e render um morador ou funcionário nas proximidades da edificação. “Depois que o bandido entra, tem 60% do assalto na mão”, ressalta Elias. Os alvos escolhidos são, preferencialmente, locais de alto poder aquisitivo ou que ostentem sinais de riqueza, como joias, automóveis caros, equipamentos eletrônicos e outros objetos de valor. Chamam a atenção ainda a ausência ou deficiência dos sistemas de segurança (câmeras, alarmes, sensores, vigilantes etc.), a alta frequência de visitantes, informações privilegiadas e/ou o seu vazamento.

Com base em dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado, o consultor observa que 82% dos casos acontecem entre 18hs às 6hs, “quando os moradores chegam ou saem para trabalhar”. “Os principais alvos dos ladrões são produtos eletroeletrônicos (88%), dinheiro vivo (81%) e joias (59%). O perfil ainda revela que 47% dos crimes são praticados por pequenos grupos, de até cinco pessoas.” Segundo Elias, existem dois diferentes tipos de assaltos a condomínios: os pontuais e os arrastões. Cada um possui uma dinâmica própria. Os crimes pontuais, por exemplo, acontecem em edificações de qualquer perfil econômico, pois os ladrões se aproveitam do chamado “princípio da oportunidade”.

“São muros baixos, portões abertos e porteiros distraídos”, enumera Elias. São cometidos em geral por menores de idade, nervosos e despreparados, por isso seu potencial de violência é bem maior, alerta o especialista.

Já os arrastões são praticados por “bandidos profissionais”, planejados e dotados de infraestrutura. Em um caso registrado em 2009, na zona Norte de São Paulo, a Polícia descobriu que os criminosos investiram R$ 60 mil em locação de armas e demais recursos para promoverem o arrastão. Esse tipo de crime visa a condomínios com no máximo duas torres e um único acesso (pessoas ou veículos). Parte da quadrilha costuma ficar do lado de fora, enquanto o restante se disfarça de morador, familiares, entregadores ou funcionários para invadir o local. É preciso, orienta Elias, “dificultar ao máximo a ação dos criminosos”, a partir de um modelo que ele define como “triângulo da segurança”, envolvendo instalações e equipamentos, treinamento dos funcionários e conscientização dos moradores.

O consultor Eduardo Lauande chama atenção, por outro lado, a um equívoco muito comum entre os condôminos. Eles costumam atribuir “total e exclusiva responsabilidade aos porteiros pelas tarefas de proteção condominial”.

Lauande observa, no entanto, que “ainda que estes reconhecidamente tenham um papel fundamental nas tomadas de ações preventivas e reativas”, os riscos acabam provocados pela indisciplina dos próprios moradores. Entre os muitos exemplos corriqueiros, o consultor destaca o hábito de se manter os portões “‘gentilmente’ abertos para desconhecidos que ainda não foram identificados”.

 

Tríplice Aliança

Além da inovação tecnológica, a proteção dos condomínios avança também na área comportamental. A ideia é focar no treinamento dos colaboradores e na mudança de postura dos moradores.

A ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (Abese) divulgou recentemente que cerca de 500 mil imóveis no País estão monitorados com o uso de alarmes e câmeras, em um universo de 6 milhões de edificações. O mercado dos equipamentos eletrônicos cresce a taxas médias anuais de 13%, estima a Abese, apontando que sistemas de alarmes, CFTV, controle de acesso, portas e portões automáticos, proteção perimetral, de combate a incêndio, detecção de metais e explosivos, eclusas, rastreamento e identificação por biometria estão entre os mais aplicados.

Mas há novidades que conferem maior sofisticação a esses sistemas, ao integrar informática, internet e telefonia móvel. É o caso do monitoramento que permite ao síndico acompanhar pelo celular, em forma de vídeos, a movimentação de seu prédio, tecnologia já disponível no Brasil. Ou ainda, de um software de gerenciamento de riscos desenvolvido por causa dos atentados registrados contra universidades norte-americanas. Capaz de identificar comportamentos suspeitos, como de serial killers, esse aplicativo detecta, com o auxílio do CFTV, “qualquer ação considerada suspeita ou de risco”, observa o consultor Eduardo Lauande, especialista na área e pós-graduado em Israel.

Esta é uma opção cara e ainda distante da realidade brasileira, comenta Lauande. Na verdade, prossegue o consultor, as soluções em segurança dependem do perfil de cada condomínio, como público, renda, tamanho e localização geográfica, além da articulação dos seus três pilares básicos: recursos materiais, humanos e administrativos (incluindo a gestão das regras de procedimentos). A própria Abese recomenda, em cartilha lançada neste ano, a adoção de um sistema eletrônico “o mais apropriado possível ao local” e que “o fator humano” esteja preparado; “seja o porteiro para acionar o botão do pânico, seja o profissional lotado na central de monitoramento, o qual recebe os sinais emitidos pelo botão de pânico”.

“O condomínio poderá utilizar câmeras com dispositivos térmicos integrados para detecção de movimento, sensores de abertura de portas, janelas, emissão de gases não letais, mas ainda assim em algum momento precisará de um elemento humano”, comenta Eduardo Lauande. Outro consultor de segurança, José Elias de Godoy, costuma empregar o conceito de “triângulo da segurança em condomínios” para caracterizar uma situação ideal de proteção nas edificações. O modelo envolve a prevenção por meio da segurança física, do treinamento dos funcionários e da conscientização dos condôminos.

Autor do Manual de Segurança em Condomínios (Editora Igal) e de Técnicas de Segurança em Condomínios (Editora Senac), José Elias é Oficial da Polícia Militar do Estado de São Paulo e pós-graduado em gestão de segurança e planejamento empresarial. Segundo ele, a receita básica da segurança inclui “um bom controle de acesso com equipamentos, além de procedimentos que devem ser seguidos à risca por moradores e funcionários”. Neste quesito, prossegue Elias, as principais deficiências encontradas hoje residem na “falta de conhecimento técnico-profissional e, em muitos casos, na ingenuidade destes funcionários, não se esquecendo também de sua autoconfiança em achar que conhecem as pessoas e podem liberar a sua entrada sem consultar os moradores ou o zelador”.

Para o consultor Eduardo Lauande, a adoção de um bom sistema de segurança começa pelo “estudo das fragilidades e deficiências” do condomínio, observando-se os “controles de acessos diversos (veiculares, de população fixa e flutuante)” e as possibilidades de “violação dos perímetros laterais, frontais e de fundos do empreendimento”. Por outro lado, há necessidade de se oferecer “treinamentos comportamentais que assegurem a adequada interatividade dos recursos humanos com os meios materiais”; a “provisão de todos os instrumentos necessários para que os funcionários realizem suas atividades laborais de forma minimamente confortável, possibilitando um alto rendimento”; a “avaliação periódica de processos”; além de “um manual de normas e procedimentos”.

BUNKER

No condomínio em que o administrador Joseph Lawand Junior mora, no bairro do Paraíso, em São Paulo, o entra e sai sem controle de profissionais de telefonia, de entrega de móveis ou de manutenção de eletrodomésticos, está vetado.

Síndico em terceiro mandato, Joseph comenta, bem humorado, que implantou um verdadeiro bunker no local, um edifício de alto padrão, com 38 apartamentos de 400 metros quadrados cada. A chave da segurança é dada por uma sintonia fina entre os equipamentos e os procedimentos adotados pelos seus funcionários e moradores. São 48 câmeras de CFTV, sala protegida para o arquivamento das imagens, duas portarias blindadas, dotadas de telefone fixo, celular, rádio e alarme conectado a uma empresa de monitoramento, viva voz para contato com os moradores, além de eclusas no acesso às guaritas e garagem. Mas isso tudo poderia ser insuficiente se não houvesse o preparo e a firmeza do funcionário para o cumprimento das normas de procedimentos, mesmo se em desacordo a eventuais demandas colocadas pelo morador, destaca Lawand.

O rigor no acesso é uma das principais regras implantadas no condomínio. O ingresso de qualquer prestador de serviço tem que ser previamente comunicado pelo morador à portaria e o profissional somente terá a entrada liberada com a apresentação de documento original de identidade ou carteira funcional da empresa. Mesmo assim, ressalta Joseph, ele será acompanhado por um funcionário durante todo o tempo em que estiver no local. Para os demais trabalhadores, que atuam de forma temporária e prolongada nos apartamentos, o acesso é permitido somente depois do cadastramento. “Não adianta vir um morador e pedir para liberar a entrada de um profissional, porque sem identificação e cadastramento, o porteiro está orientado a não ceder”, diz. “O segredo de tudo é procedimento.

Depois que entrou numa rotina, dificilmente o prédio será assaltado. E os condôminos estão se acostumando, porque têm que seguir as regras que foram aprovadas em assembleia”, afirma o consultor José Elias. No condomínio em que Vernon Pacheco exerce o cargo de chefe de segurança, no bairro de Moema, zona sul de São Paulo, o modelo de proteção inclui controle do perímetro e de acesso por uma boa infraestrutura de equipamentos, articulada ao treinamento periódico dos funcionários. “A maior parte já foi contratada com experiência na área e referências”, observa. Mesmo assim, prossegue Vernon, “há uma atualização constante, porque o crime migra em suas modalidades”. Nesse aspecto, Eduardo Lauande defende uma atenção especial aos profissionais contratados para exercer as funções no controle de acesso, pois devem preencher alguns prérequisitos, como capacidade de verbalização, de memorização visual e auditiva; agilidade de raciocínio lógico; atenção e concentração; interesse por relacionamentos sociais, já que farão atendimento ao público; facilidade para o trabalho em equipe; e desenvoltura para a realização simultânea de muitas tarefas.

“A preocupação com a segurança e a manutenção desta é um processo contínuo”, observa por sua vez o síndico Reinaldo Klepacz, residente em um prédio de apenas nove apartamentos no bairro de Higienópolis, região central de São Paulo. No cargo há oito anos, Klepacz está implantando um programa preventivo, que prevê, inicialmente, o conhecimento e controle da área geográfica do condomínio, com vistas a mapear as deficiências.

Depois serão providenciados os equipamentos e as instalações necessárias. Ao final, haverá o treinamento da equipe de colaboradores, com posterior simulação de ocorrências delituosas.

Segundo o consultor de segurança Nilton Migdal, a simulação, sem agendamento prévio, mantém os funcionários sempre alertas quanto ao rigoroso cumprimento dos procedimentos. Engenheiro civil graduado pela USP e especializado em segurança, com pós-graduação em Israel e em São Paulo, Migdal avalia o padrão de segurança condominial a partir de três análises básicas: físicatecnológica, em que checa as vulnerabilidades, não apenas em termos de ausência e falha dos equipamentos, mas também da estrutura, como muros baixos, por exemplo; de procedimentos, observando a rotina do local, desde o acesso de moradores, visitantes e prestadores de serviços até a forma como é realizada a coleta do lixo; e da checagem dos funcionários, incluindo a visita ao local de moradia.

Após 15 anos de trabalho, Migdal afirma que jamais se deparou com algum condomínio que tivesse procedimentos expressos no papel, ou seja, oficializados e difundidos a todos os moradores e funcionários. Um dos principais desafios dos síndicos e administradores é justamente o de implantar e consolidar essas normas, as quais devem ser constantemente aprimoradas conforme ocorram mudanças no modus operandi do crime, aconselha Migdal.

POSTURAS

Os consultores Eduardo Lauande e José Elias de Godoy sugerem algumas posturas a serem adotadas pelos profissionais que atuam nos condomínios, além de síndicos e moradores. Para os colaboradores, a ideia é manter-se em seu posto de trabalho e evitar deslocar-se para serviços ou atividades particulares (como o atendimento a um morador) durante o expediente.

Atender às normas do condomínio e à sua liderança, seja o zelador, o síndico ou o chefe de segurança. Jamais atender a estranhos deixando o posto de trabalho ou permitindo que tenham contato pessoal com o porteiro ou demais funcionários.

No caso do zelador, orientar sempre os subordinados. Quanto aos faxineiros, exercer sua função de olhos abertos e ouvidos atentos àquilo que ocorre no seu entorno. Se vierem a substituir provisoriamente vigias ou porteiros, atender a todos os quesitos desta nova função. Preencher sempre e de maneira adequada os relatórios de trabalho. Somente autorizar acesso de pessoas autorizadas pelos moradores e checar todos os ocupantes dos veículos que entram pela garagem.

Finalmente, dar sugestões para a melhoria do padrão de segurança do condomínio.

Síndico – tenha uma postura de supervisão ativa e periódica, monitorando constantemente as rotinas e as operações adotadas no condomínio. O síndico precisa desempenhar o papel de líder, motivando os colaboradores e, ao mesmo tempo, atuando sobre a conscientização dos moradores, seja por meio de informes e deliberações passadas em assembleia, seja pelo contato diário ou formas convencionais de comunicação (avisos, comunicados, etc.). Mantenha o cadastro atualizado dos moradores, providencie a atualização ou manutenção dos equipamentos, promova o treinamento periódico da equipe e implante e cobre o registro de entrada de pessoas, materiais e veículos.

Moradores – conheçam e cumpram as regras do regulamento interno do condomínio.

Participem das assembleias, façam sugestões e atuem nas comissões que eventualmente vierem a ser formadas para trabalhar a segurança.

Comunique ao síndico eventuais falhas e jamais repreenda diretamente o colaborador.

Fique na portaria apenas quando necessário, evitando bate-papos com funcionários, que estão em horário de serviço.

Contratem colaboradores, como empregadas, babás e motoristas, apenas com referências, assim como prestadores de serviços eventuais.

Evitem falar sobre a vida pessoal e compreendam as medidas de segurança adotadas pelos profissionais do condomínio.

Exijam a mesma compreensão por parte dos visitantes, mesmo que isso cause algum transtorno.

Por Rosali Figueiredo

 

Controle de acesso nos condomínios: Procedimentos e processos

Síndicos, conselheiros, e condôminos. Todos ficam preocupados quando detectam que um de seus porteiros abre o portão de pedestres para qualquer desconhecido, ou ainda, que o porteiro do turno noturno vive cochilando em expediente de trabalho. Outro ponto que frequentemente leva a população de condôminos a questionar a eficácia de seus controles de acesso é observar a precária formação de um de seus porteiros, apresentando severas dificuldades na leitura de documentos ou até mesmo em discernir questões elementares como a distribuição de correspondências, rotina básica em portarias residenciais e comerciais. Outro indicador que denuncia “ter a pessoa errada no lugar errado” é demonstrado pela falta de capacidade de concentração e memorização constatada em um porteiro que tenha dificuldade em anotar um recado, ou transmitir um recado a um terceiro qualquer. Na maior parte das vezes, a interpretação dos condôminos é baseada em um senso comum, onde o foco do problema está em “apenas” um esquecimento. Tecnicamente, falamos de falta de aptidão, ou baixa motivação.

O processo de sucesso para os controles de acesso começa em rever os critérios de recrutamento e seleção de pessoal, onde o ideal sempre é buscar um perfil de profissional apto e qualificado para tais funções. É preciso rever questões como o salário que se pretende estabelecer para esta função? Quem efetuará o processo seletivo - o prédio? A administradora? Há uma série de questões a serem vistas quanto aos recursos humanos, no aspecto pregresso profissional, antecedentes criminais, cursos de qualificação que o candidato possua, entre outros que possam representar um diferencial de qualidade. Não se pode manter um quadro de funcionários incompetentes e achar que os resultados virão. É o mesmo que se comparar a estrutura de trabalho da guarda civil metropolitana com a tropa de elite. O resultado em segurança está intimamente ligado a investimento e pessoal qualificado.

Controle de acesso é um conceito. Tecnicamente significa controlar de forma metodológica e crítica um ou mais pontos de entrada, onde possam ocorrer acessos. Que tipo de acessos? Todos os possíveis, ou seja: os autorizados, os que violam os limites toleráveis de proteção, os que são representados por pedestres, aqueles representados pelos automóveis, considerando-se ainda, população fixa (residente) e população flutuante (visitantes, entregadores, prestadores de serviços ), ou ainda, frota fixa (de residentes) e frota volante (entregadores, taxistas, visitantes, mudanças).

O fluxo do processo é ordenado da seguinte forma: 1 - detectar; 2 – identificar, e; 3 - neutralizar. Vamos traduzir a regra. Primeira ação: detecta-se toda a movimentação nas imediações dos acessos. Qualifica-se o perfil dos circulantes como suspeitos ou não suspeitos. Simplificando-se: conhecidos não são aparentemente suspeitos. Já os desconhecidos são suspeitos com potencial de risco elevado. Identificam-se os suspeitos através da interpretação de suas atitudes comportamentais ou efetivamente pelo estabelecimento de comunicação. Sendo a confirmação positiva, onde, por exemplo, trata-se de um visitante para um condômino, e o porteiro obteve autorização para o ingresso, está neutralizado o risco. Da mesma forma, se a confirmação for negativa, o acionamento do botão de pânico, por exemplo, enseja a neutralização do elemento suspeito, tendo em vista que o apoio tático será destacado para o atendimento, estabelecendo-se um modelo operacional ostensivo.

Portanto, as normas básicas e principais para um controle de acesso que funcione de forma apropriada são:

1 - Identifique o suspeito fora das dependências prediais e através do interfone;

2 - Use as câmeras para visualizar e checar o suspeito;

3 - Seja rigoroso, encaminhe outra visita para um segundo portão de escape, retendo no lado externo um visitante que ainda não tenha sido qualificado ou identificado;

4 - Carro não é passaporte de ingresso. Quem tem que ser identificado é o condutor e a tripulação a bordo do veículo, portanto, o vidro deve ser aberto favorecendo a identificação, caso contrário, o carro deverá ficar impedido de ingressar nas dependências do prédio (ainda que buzine insistentemente);

5 - Portão de clausura (gaiolas): abre-se o primeiro e somente após o seu fechamento, abre-se o segundo. Não existe clausura segura quando se abrem os dois portões simultaneamente. Essa conduta negligente é falta grave numa portaria;

6 - Controle exige atenção permanente. Portaria não é lugar de televisão;

7 - O sucesso da segurança está em desconfiar de tudo e de todos. Não há local que não enseje risco. Vivemos em São Paulo, quinta maior cidade do mundo, com índices alarmantes de criminalidade e violência crescente. Nosso sistema penitenciário é uma máquina de gerar criminosos, e a tendência é uma migração cada vez maior do crime organizado para os condomínios, tendo em vista o despreparo preventivo que ocorre nestas instalações e seu potencial financeiro em jogo – não se pode ser otimista diante deste cenário, é necessário ser realista.

Por Eduardo Lauande

Fonte: www.direcionalcondominios.com.br

 

 
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