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Segurança patrimonial - parte4
Segurança: Sistemas de monitoramento para condomínio

Primeiro foi a modernização tecnológica dos elevadores de serviço. Depois veio a reforma das bombas d’água, a readequação dos para-raios e das lâmpadas da garagem, para então instalar um sistema de CFTV, com 32 câmeras distribuídas conforme o planejamento realizado por empresa especializada. O próximo investimento recairá sobre a implantação de um programa de monitoramento para reforçar a segurança dos moradores dos edifícios Flávia e Fernanda, localizado no bairro da Aclimação, em São Paulo.
Com 52 apartamentos distribuídos em dois blocos de 13 andares, o condomínio tinha, até há pouco tempo, “um monitoramento caseiro, feito pelo antigo zelador e que não dava segurança alguma. Na primeira oportunidade, depois de conseguirmos em um ano pagar a reforma dos elevadores de serviço sem aumento da taxa do condomínio, apresentamos as propostas de orçamento para termos um CFTV profissional e adequado”, relata a síndica Rosana Moraes, à frente da administração do condomínio desde outubro de 2010. Rosana conta que ela e o Conselho Fiscal decidiram arrumar a casa, renovando as instalações, antes de profissionalizar a área da segurança, o que está sendo feito agora e que em breve contará com o monitoramento, ainda a ser orçado.
E não dá para prescindir de um bom monitoramento. É o que irá garantir o aproveitamento eficaz do sistema de CFTV e da estrutura de alarmes e sensores, observa Nilton Migdal, especialista em segurança, graduado em Engenharia Civil pela Universidade de São Paulo e Master em Business Security. Segundo ele, não se deve prescindir do monitoramento disso tudo. “O ideal é que haja uma estrutura de monitoramento separada das funções de portaria. E a melhor forma de trabalhar é blindar a portaria, disponibilizar botões de pânico e contar com uma central externa que receba os sinais e as imagens e possa adotar as medidas previamente acordadas com o condomínio diante de qualquer ocorrência”, analisa Migdal.
Outra providência indispensável, acrescenta, é que o condomínio disponha de um espaço protegido e independente da portaria para o armazenamento das imagens e conte com um sistema alternativo para transmitir dados à central de monitoramento, como o GPRS (Serviço de Rádio Pacote Geral vinculado às redes GSM, a mesma dos celulares). Na prática, são dois os tipos de monitoramento a serem realizados junto dos condomínios, conforme explica o diretor de marketing da Abese (Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança), Oswaldo Oggiam: o de transmissão de sinal de alarme e o de imagem. E uma boa opção para os condomínios, ainda que mais cara, seria contratar canais exclusivos para o envio desses dados, abrindo mão da rede doméstica de banda larga, ainda bastante instável, sugere Oggiam.
De qualquer maneira, mesmo que o condomínio providencie um kit moderno de equipamentos, o porteiro permanece como a peça-chave da segurança, tornando-se indispensável o seu treinamento, para que ele possa acionar de maneira eficaz o monitoramento, finaliza Migdal.(R.F)
Segurança: Portões Automáticos
É o cabo de aço do portão basculante que quebra, as roldanas do modelo de correr que não aguentam tanto abre e fecha, as fechaduras elétricas que vivem com defeito. Todo síndico sabe bem das exigências cotidianas com a manutenção dos portões, elementos fundamentais na segurança dos edifícios.
Segundo José Elias de Godoy, especialista de segurança em condomínios e autor do “Manual de Segurança em Condomínios” e “Técnicas de Segurança em Condomínios”, na maioria das ocorrências de roubos em condomínios os assaltantes entram pela porta da frente. Assim, ele aponta os portões de pedestres e de acesso às garagens como áreas críticas dos edifícios. “Devemos dar a esses equipamentos maior atenção”, orienta.
Roberto Pichini é síndico de um condomínio residencial em Vinhedo com 16 casas e define a manutenção dos portões como uma de suas maiores dificuldades.
O condomínio possui dois portões para acesso de veículos dos condôminos, um para visitantes e outro para pedestres. O sistema de eclusa permite que entre apenas um carro por vez. Uma reforma recente, orientada por uma assessoria especializada, colocou o portão de pedestres mais perto do prédio da administração. “Baseados no projeto de segurança contratado, fizemos adequações e modernizações nos portões originais. Mas só este ano já precisamos acionar duas vezes o seguro, pois tivemos motores danificados por raios. Também acompanhamos muito bem a empresa de manutenção, para que os serviços mantenham a qualidade”, considera o síndico.
Para o consultor de segurança em condomínios Eduardo Lauande, infelizmente ainda impera entre muitos síndicos a cultura da “colcha de retalhos”, com seguidas manutenções de equipamentos que já terminaram sua vida útil. “O síndico deve ser orientado a planejar a substituição de um motor que, por exemplo, passou por dezenas de manutenções nos últimos 20 anos.” Muitas vezes a própria estrutura do portão, especialmente de veículos, compromete seu bom funcionamento. Segundo Lauande, um bom serralheiro deve deixar um portão bem fixado e alinhado, e a parte mecânica deve prever um motor competente que suporte a carga necessária de trabalho. “Percebo que faltam no mercado técnicos especializados que calculem a potência necessária para o motor abrir um portão com determinado peso. Nessa equação deve entrar também a visitação estimada no condomínio. Em muitos casos, o síndico simplesmente compra o motor mais barato”, diz.
Lauande complementa que o portão é uma barreira móvel de segurança. “Ele, por si só, não traz segurança. Um portão pode ser mais leve desde que haja outros meios de proteção, como o porteiro visualizando pela câmera se há alguém tentando violar o equipamento, por exemplo.” Portanto, a decisão por um portão de ferro ou alumínio, ou até mesmo por elementos de vidro, uma tendência vista em muitos edifícios novos ou reformados, deve ir além do aspecto visual. “Acredito que quanto mais preservada a área interna do edifício, menos informações estratégicas o criminoso terá para agir”, pondera o especialista, completando que é possível aliar segurança a conforto e beleza.
Lauande explica que o objetivo da clausura (um portão só abre quando o outro fecha) é evitar o ingresso de pessoa não autorizada ao condomínio. “Ela é um meio para que o porteiro solicite à pessoa não autorizada que saia para se identificar. É uma segunda barreira de acesso numa eventual falha de procedimento.” Ele recomenda ainda a colocação de coberturas contra intempéries na entrada do prédio, evitando o incômodo da espera de idosos, familiares e amigos fora do edifício.
Segurança: Análise de vulnerabilidade e prevenção
A pedido da revista Direcional Condomínios, Luís Davini fez o diagnóstico de segurança de um edifício localizado no bairro de Higienópolis, área central de São Paulo. O objetivo é apresentar aqui aos síndicos e condôminos quais os pontos devem ser observados em uma análise de vulnerabilidade do local em que residem e sugerir um programa preventivo. Também o consultor José Elias de Godoy, autor dos livros “Manual de Segurança em Condomínios" e “Técnicas de Segurança em Condomínios", acompanhou a reportagem em um condomínio de alto padrão do bairro do Paraíso, o qual possui um complexo sistema físico e normativo de proteção. José Elias aplica o conceito de “anéis de segurança” para desenvolver o diagnóstico e propor a adoção de medidas paulatinas, a serem implantadas por etapas nos diferentes espaços físicos das edificações.
No caso do condomínio de Higienópolis, não identificado por razões de segurança, o consultor Luís Davini encontrou uma situação de elevada vulnerabilidade e inexistência de um trabalho sistemático de segurança. Com quatro funcionários que se revezam na portaria e um auxiliar de serviços gerais, o local vem passando por reformas que visam melhorar seu padrão de segurança, no entanto, elas ainda estão bem distantes de assegurar mais tranquilidade aos moradores. O prédio construído há pelo menos 40 anos sequer tinha portaria. O funcionário ficava em uma mesa no hall social e sua principal função era recepcionar moradores, auxiliá-los com as compras e acesso aos elevadores. Após reformas recentes, houve substituição da barreira física no perímetro da rua e a portaria foi construída no recuo. Também foram instaladas 16 câmeras do CFTV (Circuito Fechado de TV).
Entretanto, os portões da garagem e de pedestre ainda não têm eclusa, a qual funcionaria como espaço de contenção e controle de acesso. Tampouco foi instalado um passa objeto junto à entrada, recurso importante para evitar o acesso de entregadores ao interior do edifício. As portas do hall social e de serviços do prédio estão permanentemente abertas. A guarita não oferece proteção ao porteiro e pode ser acessada facilmente por qualquer pessoa que tenha passado pelos portões. Do ponto de vista da infraestrutura eletrônica, seria importante “fazer controle perimetral dos muros em infravermelho, reposicionar algumas câmeras, implantar monitoramento de alarme digital remoto, promover o fechamento eletrônico das portas e também da guarita”, enumera o consultor Luís Davini. Nos elevadores, a principal providência seria um controle de acesso de moradores por meio de software específico. E na área comportamental, considerada peça-chave de todo um sistema de segurança, funcionários e moradores deveriam, respectivamente, passar por treinamento e conscientização.
“A segurança implica em mudança de comportamento para todo mundo”, ressalta Luís Davini. No caso dos funcionários, a orientação tem que ser constante, desenvolvendo “uma memória muscular, um reflexo de ação, em que a pessoa fica psicologicamente preparada para tomar as medidas iniciais e acreditar que a qualquer momento pode acontecer um problema.” Segundo Luís Davini, “a rotina deixa a falsa impressão de segurança, provoca relaxamento”. Quanto aos condôminos, o importante seria “despertar essa visão de que eles são parte da segurança”, ponto que não exige investimento financeiro. “É mais reorientação”, diz. A síndica do local revela que novas normas de conduta deverão ser discutidas e votadas em assembleia no mês de setembro, como o acesso dos táxis às garagens. Ela admite que “precisamos melhorar as coisas, mas de acordo com o orçamento”, bastante apertado, em função de o condomínio ter apenas onze unidades.
Os especialistas costumam trabalhar com a concepção de “triângulo da segurança”, envolvendo aspectos físicos, normativos e comportamentais. Para esta síndica, as medidas de prevenção serão adotadas gradualmente em cada um desses quesitos, como, por exemplo, a construção da clausura na garagem, “já programada”. Mas ela ressalva que haverá dificuldades para alterar a cultura comportamental, lembrando que o passa objeto não foi instalado na entrada do edifício por decisão dos moradores – “o conforto falou mais alto”. Esta é a grande barreira a ser quebrada, observa, “a de que os condôminos se conscientizem de que têm muita responsabilidade sobre a própria segurança”.
SISTEMA INTEGRADO DE PROTEÇÃO
No condomínio do síndico Joseph Lawand Junior, a mudança comportamental resultou de muita persistência. Localizado em rua nobre do bairro do Paraíso, em São Paulo, o condomínio de duas torres, 19 andares e apartamentos de cerca de 400 metros quadrados tem normas rígidas, integradas a um sofisticado aparato físico, o que inclui duas guaritas blindadas, que se comunicam e possuem telefone fixo, celular e rádio. O acesso a elas é permitido somente ao porteiro do turno, nem o próprio síndico tem autorização para se dirigir ao local, protegido por eclusa.
Ninguém entra no condomínio sem autorização do morador, tampouco sem apresentar documento pessoal ou crachá de empresa prestadora de serviço. Se o morador autorizar, mas a pessoa não portar documento, o acesso é vedado. As normas chegaram a ser votadas em assembleia e, segundo Joseph Lawand, “com o passar do tempo, a segurança virou rotina”. Ele lembra que o foco principal de resistência dos moradores foi a garagem, cujos portões são controlados pelos porteiros e a entrada liberada somente após a visualização física do condutor, que ao ficar na clausura, deve baixar o vidro do carro. “Tivemos caso de morador que ficou 15 minutos na clausura, recusando-se a baixar o vidro. Ele não entrou”, comenta.
Segundo Lawand, “os funcionários têm total apoio” e recebem treinamento mensal. Monitoramento e manutenção constante dos equipamentos completam o sistema de segurança, sobre qual o condomínio investe cerca de 4% de seu orçamento mensal. Ele está integrado ainda, via rádio, a outros três prédios da vizinhança. “Mas quando começamos, não tínhamos estrutura para identificar situações de risco, não sabia por onde começar e aprendi que 95% da segurança é treinamento”, analisa Joseph Lawand. Ele sugere a implantação gradual do sistema. “Se fizer tudo de uma vez, ninguém vai cumprir.”
Para o especialista José Elias de Godoy, o ideal é trabalhar com etapas dentro do conceito de “anéis de segurança”. O que implica, em um primeiro momento, atuar sobre a área perimetral do condomínio, incluindo garagens e portarias; num segundo momento, trabalhar a entrada da edificação, tanto o hall social e quanto de serviços; em um terceiro, cuidar das medidas de proteção para acesso às unidades, incluindo restrições para uso dos elevadores; finalmente, em um “quarto anel”, os próprios moradores cercarem-se de cuidados para manter suas residências permanentemente trancadas. E mesmo com tudo isso, José Elias de Godoy pondera que “não existe local intransponível”, mas de “baixo risco e vulnerabilidade”.
O consultor José Elias de Godoy aplica o conceito de “anéis de segurança” para fazer diagnóstico e sugerir medidas preventivas
Por Rosali Figueiredo
Segurança: Concertina, Cerca Elétrica

Cuidados especiais com a proteção perimetral
Quando o assunto é a segurança do condomínio, proteger o perímetro de invasões deve ser uma das principais preocupações. As cercas eletrificadas e as concertinas são os equipamentos mais utilizados para esses casos. Ambos funcionam como barreiras físicas, sendo que a concertina (nome comercial da proteção perimetral perfurante fabricada em aço especial) tem um visual mais agressivo. “Já a cerca elétrica causa menor impacto no ambiente, mas age também psicologicamente sobre o invasor”, admite Carlos Alberto Progianti, vice-presidente da Abese (Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança).
A cerca elétrica pode ser instalada com várias configurações – com 2, 4, 6 ou 8 fios, e até mesmo em parceria com a concertina. Tudo depende da análise de riscos do local, realizada por consultor de segurança. Segundo Carlos Alberto, a instalação é fundamental para um bom resultado. “Cada fio deve ser único, sem emendas. Um sistema de aterramento mal feito também causará problemas e a calibragem da cerca não pode ser realizada em um dia de chuva. Hoje, empresas sérias de segurança eletrônica têm recursos que minimizam o falso alarme, acarretado pelas más instalações”, adverte.
São utilizados suportes de várias bitolas para os fios. Condomínios de grande valor agregado preferem hastes mais robustas, informa o vice-presidente da Abese. Os fios são produzidos em aço inox (mais comuns em condomínios) ou cobre (mais utilizado no segmento corporativo, como grandes indústrias). Carlos Alberto comenta ainda que existem alguns mitos sobre as cercas elétricas, entre eles aquele que sustenta que colocando um tapete de borracha sobre a barreira seus efeitos ficam anulados. “Isso não procede. Uma cerca bem instalada, dentro dos padrões e bem aterrada é muito difícil de ser transposta”, garante.
José Elias de Godoy, especialista de segurança em condomínios e autor dos livros “Manual de Segurança em Condomínios” e “Técnicas de Segurança em Condomínios”, esclarece que o uso da cerca elétrica detecta a intrusão ou evasão de um indivíduo pelo perímetro do condomínio. Porém, ele aponta que certos cuidados com a instalação são necessários para evitar que o equipamento tenha consequências reversas aos seus usuários: “Não se deve invadir o espaço físico e/ou aéreo da propriedade vizinha. A instalação deve ser feita sobre o muro do usuário, de forma perpendicular ao solo e, quando muito, vergada para o lado interno da propriedade protegida. Aconselho também a instalar a cerca a uma altura superior a três metros sobre as barreiras físicas limítrofes, como muros, grades, alambrados. São necessárias ainda placas sinalizadoras, informando sobre os riscos de tal proteção, de forma visível.”
Apesar da popularidade e das reconhecidas vantagens da cerca elétrica, o síndico Joseph Lawand Junior optou por outra solução para proteger o perímetro do seu condomínio: os sensores de infravermelho. “O custo inicial é mais alto, porém há menos necessidade de manutenção. Mas, alguns cuidados são necessários, como evitar plantas próximas e ter um acompanhamento mensal por técnico responsável”, admite. Para o vice-presidente da Abese, qualquer que seja a proteção perimetral escolhida, é fundamental ter critérios para escolher a empresa que fará o serviço: “O síndico deve verificar se a empresa existe legalmente e se possui alguma certificação, conhecer suas instalações físicas, checar se há um engenheiro responsável e até mesmo conversar com clientes antes de realizar o serviço.”
Por Luiza Oliva
Segurança: Quem pode e quem não pode entrar?

Algumas regras e condutas devem ser seguidas pela portaria no controle de acesso de oficiais de Justiça, corretores, policiais e ex-cônjuges ao interior dos condomínios.
A porta da frente dos edifícios continua sendo o ponto mais vulnerável quando se trata de segurança. “As invasões de condomínios verticais ainda ocorrem, em sua maioria, pela porta da frente, ou seja, pelas entradas de pedestres e de veículos”, constata o consultor de segurança José Elias de Godoy, oficial da Polícia Militar do Estado de São Paulo e autor de “Técnicas de Segurança em Condomínios” (Editora Senac).
Os funcionários da portaria, portanto, devem estar mais do que treinados para identificar visitantes. “A princípio a pessoa que reside no local é quem tem a precedência para entrar e sair livremente do condomínio e liberar ou não a entrada de visitantes e/ou prestadores de serviços”, completa Godoy. Parece elementar, mas muitos porteiros ainda pecam por não identificar corretamente visitantes e prestadores de serviço. O consultor atenta que entre os modos de acesso mais comuns utilizados pelos ladrões estão os disfarces de prestadores de serviço de empresas (como Telefônica, Sabesp, Comgás, Eletropaulo, TV a cabo etc.), de eletricistas, encanadores ou entregadores de pizza ou encomendas.
É usual ainda o porteiro ser iludido pela presença de uma mulher bonita, que o convence a abrir o portão, ou simplesmente por uma história bem contada (alguém veio buscar um carro, sofá ou outro item a pedido do morador, por exemplo). A situação pode se complicar com casos que fogem à rotina, como a visita de oficiais de Justiça, de corretores de imóveis e de ex-cônjuges de moradores.
OFICIAL DE JUSTIÇA: COMO PROCEDER
Especialmente a presença de oficiais de Justiça na portaria costuma causar dúvidas e receios. A advogada Evelyn Roberta Gasparetto, especialista em condomínios e coautora do livro “Administrando Condomínios”, afirma que o acesso do profissional não é livre: “O oficial deve explicar sua função, com quem precisa falar e demonstrar documento que comprove a sua situação naquele momento, a de oficial de Justiça, ou seja, o mandado do Juiz somado à sua carteira funcional ou ainda o RG.”
Luís Renato Mendonça Davini, delegado e consultor na área de segurança, alerta que o oficial de Justiça é um serventuário da Justiça (servidor investido e concursado em cargo efetivo): “Ele é quem faz cumprir a ordem emanada pelo Poder Judiciário, não devendo ser frustrado ou impedido no exercício da sua função.” Davini frisa que o mandado judicial deve ser lido pelo porteiro ou segurança, “certificando-se que se trata de uma ordem judicial, para o seu devido cumprimento”. Ele completa que as condições da diligência (local, data, horário e natureza) estão escritas no mandado judicial, por isso o documento deve ser lido com atenção para certificação das informações prestadas pelo oficial de Justiça.
A partir daí, o porteiro deve prestar todas as informações solicitadas pelo serventuário. “O porteiro não poderá atrasar ou obstar a entrada do oficial ao condomínio, até mesmo no caso do morador não estar presente.” Davini salienta que mesmo a pedido do condômino, o porteiro não poderá recusar a entrada do oficial de Justiça para o cumprimento do mandado, sob pena de ser preso por sua conduta. Caso seja solicitado pelo oficial, o porteiro deverá informar seu nome e número de RG. Da mesma forma, o porteiro deverá anotar o nome, número do RG ou funcional e o cartório judicial que o oficial representa. No caso de excessos cometidos pelo oficial (como falta de identificação pessoal, exibição do mandado, ofensas ou grosserias), o condomínio poderá comunicar ao Juízo que emanou a ordem.
A advogada Evelyn orienta que, em um primeiro momento, o porteiro não precisa assinar a notificação de recebimento. “O oficial pode voltar outro dia ou outra hora. No entanto, caso fique caracterizado que o morador está se escondendo, o porteiro pode ser a pessoa responsável por receber a ‘citação por Hora Certa’, na qual ele assina a notificação e é obrigado a entregar ao morador. Mas isso quem decide fazer é o oficial de Justiça, dependendo do andamento da situação”, esclarece.
O gerente predial Leone Silva Santos, do Condomínio Edifício Nações Unidas, com 144 apartamentos, conduz com muito tato as visitas de oficiais de Justiça. “Sempre comunico os moradores que a portaria não pode mentir. Falo para o oficial que o morador está, mas que não quer recebê-lo, recebo a intimação e entrego pessoalmente para o condômino. Tenho um ótimo relacionamento com os moradores, e já tivemos casos em que convenci a pessoa intimada a descer, conversar com o oficial e tratar a questão amigavelmente.”
CORRETORES DE IMÓVEIS
Em relação ao controle de acesso de corretores de imóveis, organização é fundamental. José Elias de Godoy orienta o morador que está locando ou vendendo seu imóvel a deixar na portaria o máximo de dados possíveis, como nome da imobiliária e do corretor, data e hora da visita. “Esses dados devem ser passados também ao zelador para acompanhamento.”
José Augusto Viana Neto, presidente do CRECI São Paulo (Conselho Regional de Corretores de Imóveis), afirma que para garantir a sua segurança e tranquilidade, o proprietário do imóvel deve informar a portaria que sua unidade está sendo negociada, cadastrando os profissionais que têm autorização para ingressar e levar visitantes ao local.
Viana considera que a onda de arrastões a condomínios em São Paulo tem dificultado o trabalho dos corretores. “Os condomínios ficam receosos em liberar o acesso aos imóveis. Assim, acredito que a melhor alternativa é um trabalho em conjunto, com corretores oferecendo suas credenciais, proprietários cadastrando os profissionais autorizados a ingressar na unidade e porteiros exigindo a documentação do corretor para autorizar esse acesso. Se houver essa ação conjunta, acredito que os problemas serão minimizados, assim como os riscos de assaltos”, aponta.
Viana explica que o CRECI São Paulo instituiu um cartão de regularidade profissional aos corretores, justamente visando colaborar com a segurança dos prédios. “Esse documento, renovável a cada ano, deve ser exigido pelo porteiro ou zelador. Nele constam a foto do profissional e todos os seus dados.” Viana aconselha que o porteiro anote no livro de visitas o nome do corretor, a data, a hora e a identificação de todos os seus acompanhantes, mencionando o fato de que estão em visita a um imóvel disponível à venda ou locação. “Muito cuidado quando algumas dessas pessoas retornarem ao imóvel sozinhas ou acompanhadas de terceiros, com o subterfúgio de apresentarem a propriedade a familiares ou amigos. Podem ser assaltantes ou olheiros de marginais que buscam o acesso facilitado aos condomínios”, orienta.
O consultor Luís Renato Davini complementa que um funcionário do condomínio deve sempre acompanhar os visitantes e que todos devem sair juntos do empreendimento. “A ordem é: entrou junto, saiu junto. E lembro que os melhores sistemas de segurança são os mais simples. Por exemplo, o uso de crachás pelos visitantes é um excelente recurso operacional. Na saída, o porteiro facilmente perceberá se um dos visitantes ainda está no prédio e poderá dar o alerta.”
POLICIAIS E EX-CÔNJUGES
A presença de policiais no acesso ao condomínio também costuma causar dúvidas. Conforme o consultor José Elias de Godoy, o condomínio é uma área privativa. “Portanto, os policiais somente terão acesso livre quando houver situações de flagrância, catástrofes, emergencial, com mandado judicial ou quando acionado por algum morador ou mesmo funcionário, conforme o caso”, diz. A advogada Evelyn Gasparetto completa que policiais civis e militares somente podem entrar com mandado ou em casos de emergência. Ela reforça que se um morador solicitou presença policial em seu apartamento, deve comunicar o fato à portaria. “Informando a atitude tomada, todos trabalharão em benefício do condomínio.”
Comunicação é fundamental especialmente em casos de separação de casais. “Só entra sem autorização quem mora no edifício. Caso haja a separação, o ex-cônjuge terá que ser anunciado. Se há permissão de acesso irrestrito, o morador deve autorizar esta situação, mesmo porque pode haver mudança no quadro de funcionários e o porteiro não ter conhecimento da situação do casal”, diz a advogada. Luís Renato Davini afirma que o morador deve comunicar por escrito à portaria que o ex-cônjuge não está autorizado a entrar no condomínio. “O condomínio pode inclusive ser responsabilizado se permitir a entrada e houver alguma violência contra o morador”, conclui Davini.
Por Luiza Oliva
Fonte: www.direcionalcondominios.com.br
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